Se você tinha dinheiro aplicado na caderneta de poupança nos anos de 1987, 89 e 90, pode comemorar. Você tem dinheiro a receber do banco. Em média, os saques são de R$ 3 mil cada. Somente na cidade, estima-se que 30 mil pessoas tenham direito ao ressarcimento, o que totalizaria R$ 90 milhões injetados na economia local. Os valores são um tipo de indenização aos donos das contas de poupança que tiveram prejuízos com a implantação, respectivamente, dos planos Bresser, Verão e Collor e as trocas de moeda que vieram com eles.
Os números foram levantados pelo consultor financeiro Michel Riad Aoude. Bancário há mais de duas décadas, possui em seus arquivos pessoais - relativo a apenas uma agência do Banco do Brasil - mais de dois mil registros de contas-poupança nos períodos. “Em uma estimativa cautelosa, levando-se em conta o número de agências bancárias da época, no mínimo 30 mil têm direito de receber”, disse.
Nos últimos dois meses, Michel tem se dedicado a identificar e auxiliar essas pessoas. Desde então, já orientou mais de 400 francanos. “Há resgates com valores a partir R$ 720 e um caso extremo que chegou a R$ 980 mil. Mas, na média, cada poupador tem R$ 3 mil para ser restituídos”, disse.
O que deu direito às indenizações foram as alterações de saldo ocasionadas pelos planos econômicos. Os índices aplicados pelo governo federal para as correções ficaram aquém das perdas decorrentes das mudanças. “Os bancos aproveitaram a troca de moeda e pagaram os rendimentos a menor. Com isso, muita gente perdeu dinheiro”, disse.
Michel afirma que, nos casos dos planos Bresser e Verão, as ações já foram julgadas em última instância e o Judiciário entendeu que os poupadores têm direito à restituição. “O dinheiro já está provisionado nos bancos. Não haverá mais demanda, mas o interessado precisa, por questões burocráticas, pedir o saque na Justiça. Em média, a causa demora dois anos”, disse o consultor.
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Ele esclareceu ainda que no caso do plano Collor a disputa ainda está em trâmite, mas a documentação já pode ser providenciada.
A maior dificuldade, segundo Michel, são os empecilhos impostos pelos bancos para fornecer os extratos, que custam, em média, R$ 7,5 por folha. “O interessado precisa ter o número da conta, nem se for anotado em um pedaço de papel. Os bancos não fornecem mesmo”.
Com o número em mãos, a pessoa vai à agência bancária onde tinha a poupança e solicita um extrato. No caso dos bancos que foram vendidos, os incorporadores são responsáveis pelas restituições (veja quadro nesta página). Se o titular da conta tiver morrido, familiares podem entrar com a ação e receber os valores. “É necessária a contratação de um advogado para evitar custas e facilitar o cálculo”, disse Michel.
SERVIÇOS
Mais informações sobre a existência, as condições e valores para os resgates podem ser obtidas no telefone (16) 3017-2090. Para saber mais sobre bancos que foram vendidos, basta entrar no site www.cvm.gov.br.
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