Sinal dos tempos?


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Lembro-me de minha colação de grau, solene, inesquecível. Nós, os formandos, mal contínhamos a emoção a cada chamada do mestre de cerimônias. Depois da colação de grau, os discursos, breves, profundos e cheios de emoção. Seis anos ficavam para trás. Ao final, o abraço já saudoso, promessas jamais cumpridas de reencontro, lágrimas... Nesses trinta e dois anos que nos separam da festa memorável, tivemos alguns encontros de confraternização, sempre com o não comparecimento de grande parte dos colegas. E o Álvaro (Brejeiro), o Roberto, o Arthur, o Housep e o Tiago já se foram... Há alguns dias, assisti a duas colações de grau. Que diferença! A primeira não foi assim tão ruim, apenas o barulho ensurdecedor de apitos e estouros de balões atordoavam os ouvidos mais sensíveis e impediam que se ouvissem os nomes dos formandos. A segunda, com um número de formandos bem maior, foi um festival de incivilidade, desrespeito à autoridade e aos próprios colegas. Imagino o cansaço físico e mental da cerimonialista, anunciando o nome dos formandos em todas as “solenidades” de colação de grau... Imagino a sua dor de cabeça ao chegar em casa... Como no dia anterior, quando os nomes dos formandos eram anunciados, uma confusão de apitos, estouros, gritos, aplausos e buzinas enchia o ambiente. No palco, coreografias, faixas, gritos de guerra, e até um aluno que virou uma cambalhota diante da mesa de hon-ra... Enquanto isso, alguns colegas exibiam uma faixa com os dizeres: “Ei, ei, ei, mamãe eu me formei”, entoando essas palavras enquanto os colegas eram chamados à mesa para a colação. E antes mesmo do juramento e dos discursos, viam-se formandos em suas becas passeando no meio dos convidados. Quando proferiram o juramento, houve quem acompanhasse o ritmo com um apito... O discurso do orador foi terrível: sem o mínimo cuidado com a formalidade, ou com a língua pátria, proferiu uma oração que beirava o mau-gosto, citando os colegas que passavam “cola” e os professores “rigorosos demais” e enaltecendo as bebedeiras, os churrascos, as festas, “as baladas”. Será que ele aprendeu algo? Finalmente, para alívio de todos, o pró-reitor, que presidiu a mesa, deu a sessão por encerrada. Não sou contra festas ou manifestações de alegria. Pelo contrário, acho que a conclusão de um curso universitário merece ser comemorada. Acho natural jogar os capelos ao fim da sessão, assim com gritos de alegria, ao final. Até mesmo uma batucada é aceitável. É de se pensar se não são essas situações que abrem em nosso País o caminho para atitudes desrespeitosas que têm sido comuns no próprio Congresso Nacional, com uma deputada dançante e políticos ávidos por “pizzas”... para não dizer outras coisas... Bem dizia Charles De Gaule que o Brasil não é um País sério... Triste ver um País tão grande, tão lindo e tão promissor como o nosso ser palco de uma informalidade que se confunde com falta de cultura e de educação. HERMES FALLEIROS é médico homeopata

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