O meia-atacante Elivélton nem imaginava qual a ligação que ele tinha com Franca. Jogador de grandes times, como Palmeiras, Corínthians e São Paulo, neste ano ele veio reforçar a Francana para o Campeonato Paulista da Série A-3. Pela Veterana, os jogos nem começaram e ele ainda não teve tempo de deixar uma marca. Mas na sua passagem pelo Timão, o atleta marcou para sempre a lembrança do curtumeiro francano Flaviano Feliciano Vicente, 30.
Conhecido como Sorín, ou também Ronaldinho, esse morador do Recreio Campo Belo decidiu homenagear Elivélton colocando o nome do jogador no filho mais velho, que hoje completa 9 anos, entre os outros três que teve.
Tudo começou em 1995, na final do Campeonato Paulista da época, em jogo realizado no Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Palmeiras e Corínthians brigavam pelo título e o placar no tempo normal de partida terminou em 1 a 1, com gols de Nilson para o Verdão e Marcelinho Carioca para o alvinegro. Só no 2º tempo da prorrogação, aos 16 minutos, é que o Timão virou “a mesa” justamente com um gol de Elivélton, após ele bater de fora da área e vencer a defesa do goleiro Veloso.
A alegria que aquela jogada causou em Flaviano, segundo ele, ficaria para sempre na memória. “Tornei-me fã dele na época e o nome Elivélton ficou na minha cabeça. Foi quando decidi que ia colocá-lo no meu filho, porque era solteiro ainda”, recordou.
Quatro anos mais tarde veio o primeiro filho do curtumeiro e com isso a possibilidade de cumprir a promessa. “Não quis nem que fizesse ultra-som. Pensei: ‘se for menino vou cumprir’ e deu certo”. Apesar de parecer fácil, Flaviano ainda encontrou dificuldades em cumprir o que queria. “Minha mãe e ex-mulher não aceitavam, de jeito nenhum, colocar nome de jogador. Falavam que era estranho e queriam Natan”.
Depois de muita conversa, e desentendimentos também, veio a solução: Elivélton Natan Vicente. Depois disso, o casamento não foi tão bem e o curtumeiro se separou e ficou longe do filho. Conversou com a ex-mulher e há três anos e meio passou a viver com o pequeno Elivélton. “Tento fazer tudo o possível para ele”, disse o pai coruja, que ontem ainda estava com a filha Flaviana, 5, que passa férias com ele.
Flaviano disse que aonde vai com o filho e o garoto diz qual é o seu nome, logo alguém lembra “é em homenagem ao jogador de futebol, não é?”. E Elivélton não é o único que o pai decidiu-se.
O filho do meio, Guilherme, 3, surgiu devido a um jogador que passou pelo Corínthians também.
Mas não é só no nome que o curtumeiro quer que o filho se pareça com o craque. Há dois meses, Flaviano incentivou o garoto a freqüentar a escolinha de futebol da Sabesp. “Gosto de jogar no meio-de-campo e chuto mais com a perna direita. Estou também estudando e faço a 3ª série”, contou Elivélton, que, como o jogador, aparenta timidez. Só a perna do chute é diferente da do craque da Francana, que é canhoto.
Como todo pai, Flaviano já vê talento no filho. “Ele já faz uns golzinhos. Em um jogo que fui, vi três dele. Dou muito incentivo, levou ele na escolinha, afinal ele gosta também”.
SÓ DE LONGE
Apesar de ser um corintiano fanático e torcedor da Francana com uma paixão mais dosada, Flaviano nunca conheceu o jogador que é um de seus maiores ídolos no futebol. “Foi um amigo, o Wiliam Jaburu, que contou que o Elivélton vinha para Franca. Meu sonho agora é ir a um jogo e tentar encontrá-lo, fazer foto com ele e cumprimentá-lo”.
Há algum tempo que o curtumeiro não freqüenta o Estádio Lanchão. A última vez que acompanhou vários jogos foi em 2002, quando o time chegou à final do Campeonato Paulista da Série A-2, mas não conseguiu o acesso.
“Agora vou voltar ao estádio para ver o Elivélton jogar. Não deu tempo ainda para assistir a um treino, mas sei que a competição começa neste mês”, disse.
O pequeno Elivélton é outro que quer também ver em campo o jogador. “Vou junto com meu pai”. O menino comentou que só viu o craque por fotos que o pai dele tinha espalhadas pela sala da casa.
“Minha irmã pediu as fotos emprestadas e não me devolveu. Quem sabe posso a ter um quadro, desta vez, com uma foto minha, do meu filho e do Elivélton”, disse Flaviano.
A reportagem tentou falar com o meia-atacante, que está em Atibaia, para que ele comentasse a paixão de Flaviano e filho, mas não foi possível o contato.
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