A família da cozinheira Cristiane Balbino Borges Gomes - seu marido e mais oito filhos - se mudou para o número 3.600 da Rua Santa Rosalina com os poucos móveis que possuem. Passou o Natal em uma casa nova, com laje, boa pintura, dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e um quintal simples, mas agradável. Seu marido, Ronildo Gomes, fez a limpeza do terreno da casa onde havia mato alto e ainda cimentou um trecho do quintal, próximo à entrada da cozinha. Na residência ainda encontraram tevê, cama, armário e geladeira. Foram dez dias de tranqüilidade - entre os dias 21 e 31 de dezembro. Até que o dono da casa chegou.
A casa do bairro Jardim Bonsucesso está registrada na Prohab (Habitação para Franca) no nome de Flaísa Bueno Bertoni e Kleber Retucci Teixeira. Casados, segundo informaram à Prefeitura, ambos alegam que moravam no local, mas que estavam fora da casa em razão das festas de fim de ano. Segundo Kleber, por causa do seu trabalho em horário noturno, sua mulher dormia na casa da mãe por segurança. “Nós pretendíamos passar o Réveillon juntos em casa.
Mas quando cheguei para arrumar as coisas me surpreendi com a invasão”, disse.
Após a invasão no dia 31 de dezembro, Kleber Retucci chamou a polícia e fez um Boletim de Ocorrência de “preservação de direitos”. Ainda na delegacia, ficou acordado que a família de Cristiane deixaria o imóvel passadas as festas de Réveillon, já na quinta-feira, ao meio-dia. Ontem, no horário, a cozinheira e os filhos ainda não haviam deixado o imóvel. Confusa, Cristiane disse ontem à reportagem que estava disposta a deixar a casa, mas que achava injusto o imóvel que deveria ser destinado à população carente estar “desocupado”. “Se eu tiver que sair eu saio, mas fico sem ter para onde ir com meus filhos enquanto a casa fica desocupada”, afirmou.
Segundo informações da imobiliária Espaço Livre, não há comprovação de que o imóvel seja desocupado de acordo com a fiscalização realizada por correspondência pela empresa. O presidente da Associação dos Moradores do Jardim Bonsucesso, Marcos Sales, afirmou ontem ter orientado a cozinheira Cristiane Balbino Gomes a deixar o imóvel para que ela não seja prejudicada numa eventual aquisição de imóvel popular. Segundo Kleber Retucci, dono do imóvel, se a família não deixar a casa ele acionará a Justiça.
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