É proibido proibir


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A pessoa com deficiência é como um anjo que ao cair do seu mundo angelical perdeu uma das asas. Com uma só asa não pode cumprir seu destino que é voar. Para que isso se torne possível é preciso que se abrace a outro para completar suas asas. ‘Juntos, Venceremos’ tem sido o lema das Apaes, que neste momento questionam o Ministro Fernando Haddad a respeito da proposta preliminar para a nova Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A realidade vivenciada pelos atores que fazem parte do cenário da Educação Especial, não transcorreu de forma linear. Várias etapas tiveram que ser percorridas, algumas conquistadas e outras estão ainda por vir, desde a negligência e até ao abandono, da não aceitação à violência. Crianças defeituosas seriam como máquinas imperfeitas que não pensam, restando a elas o esquecimento da sociedade. Era considerada, inclusive, a exclusão dessas pessoas baseadas nos preceitos da superstição em que as causas da deficiência eram atribuídas a forças sobre-humanas, dádivas ou castigos de Deus. Infelizmente, isto ainda aparece em algumas entrevistas de famílias que se encontram em processo de entendimento e aceitação. A descoberta em 1800, de um menino selvagem no sul da França, desperta o interesse de um jovem médico de nome Itard, discípulo de Pinel que, contrariando o mestre, dedica seus estudos a essa criança, declarando que poderia ser educada. Ele ficou conhecido como a primeira pessoa a usar métodos sistemáticos para o ensino com deficiente mental ou retardado mental. Momentos históricos marcaram essas vidas, em que as filantrópicas Apaes e Pestalozzis, educadores e movimentos sociais levantaram-se para que fosse resignificada a condição dos deficientes, como cidadãos de direito que fazem parte de uma ordem social. A facilitação do processo de inclusão educacional, durante toda essa série histórica, ficou sob responsabilidade dessas instituições que foram se especializando nos atendimentos. O treino, a recuperação e a adaptação desse aluno, sempre que possível, poderá fazer parte do ensino regular. Só que o Estado não conseguiu, até agora, imprimir a mesma eficiência e credibilidade que as escolas especiais e filantrópicas detêm. A versão preliminar da nova política contém orientações aos sistemas de ensino no sentido de proibir a criação de novas escolas especiais: de transformar as existentes em centros educacionais especializados, além de limitar a celebração de convênios para repasses públicos. As experiências mundiais em torno da inclusão total ainda não apontam para resultados que justifiquem essa mudança brusca do modelo educacional vigente. É essa a grande angústia que percorre todo o segmento, pais e amigos, que têm lutado por uma vida, pela inclusão total e não medirão forças para que ela se realize da forma mais justa possível. As Apaes têm muito que ensinar e contribuir para o sucesso desse processo. Essa experiência não deve ser ignorada a favor de novidades que não têm comprovação de sucesso. Tratar os diferentes como iguais pode resultar em algumas economias em tempo de CPMF frustrada, mas a verdadeira inclusão requer muito mais do que um banco escolar! EM BRASÍLIA, CALMA AÍ! O Senador Flávio Arns, presidente da Federação Nacional das Apaes, procura tranqüilizar o Movimento Apaeano. Dia 6 de dezembro passado encontrou-se com o Ministro Haddad, acompanhado com o Deputado Eduardo Barbosa e o Deputado Marco Aurélio Ubiali (apaeanos). Informa o Senador Arns que o Ministro foi categórico em afirmar que se associa ao pensamento do Movimento Apaeano em que a educação inclusiva é vista como uma decisão acertada. Afirma que a nova política será construída em um novo ambiente, em que todos os que contribuem com a inclusão possam assiná-la. MEDO, REPÚDIO! Vozes e sentimentos dos professores do ensino regular precisam ser ouvidas oficialmente. Inseguranças que suscitam questionamentos. Não foram consultados se queriam receber tal desafio de vez que não foram preparados. É como ir para a arena e ser devorado por leões. Legitimar uma ordem legal com certeza causará repúdio, ou melhor, já tem causado repúdio à responsabilidade e competência de cada um. A angústia frente ao que é diferente é uma realidade; os medos são reais e não parte do imaginário como estão pregando por aí. FACILITADORES DO PROCESSO! Estão enganados os que atribuem um caráter segregador às Apaes. Essas crianças por um tempo, nos setores de atendimento (bio-psico-social), são atendidas em todas as suas necessidades. As Apaes, enquanto defensoras de direitos humanos, sempre lutaram pela inclusão, mesmo quando os governos rejeitavam-nas, excluindo-as do processo de direitos. A criança com deficiência tem que encontrar um ambiente plenamente propício a seu bem-estar e aprendizagem junto aos demais. Com certeza pais e amigos não aceitarão um faz-de-conta e nem a “meia boca” costumeira!

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