Artefatos de até mil anos são encontrados em Patrocínio


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Três objetos de cerâmica encontrados por acaso há um ano e meio em Patrocínio Paulista podem revelar dados inéditos sobre quem eram os povos que habitavam a região na era pré-Cabral. Os artesanatos estão agora sendo estudados em São Paulo. De acordo com o historiador e arqueólogo Antônio César Granero, membro do grupo da USP (Universidade de São Paulo), responsável pela pesquisa em laboratório, ainda é cedo para se tirar conclusões sobre o achado, mas tudo indica que os objetos pertenceram aos índios Caiapós, que viveram na região até a expansão bandeirante, no século 18. A justificativa para a identificação das obras com os Caiapós se deve à falta de desenhos e pela coloração encontrada nas cerâmicas, uma característica daquele povo. Os objetos, o maior deles com 80 centímetros de diâmetro e 1,1 metro de altura, teriam entre 800 e mil anos, segundo o especialista. “Elas estão em fase de pesquisa, mas são evidências de culturas que habitaram nossa região, sendo possivelmente um artefato Caiapó”, disse o arqueólogo. Os objetos que estão sendo pesquisados se encontram com pequenas deteriorações. A expectativa de César é de que daqui a alguns meses já se tenha um resultado mais concreto para apresentar à sociedade e, até lá, a lei é a do silêncio. “É um material que não foi publicado em nenhuma revista científica. Até a publicação, é necessário que seja guardado com certo sigilo e cuidado, por conta de proteção dos dados científicos e do próprio material.” César diz que os objetos foram encontrados por um sitiante, após uma chuva que limpou parte do terreno onde estavam as peças. Após encontrá-las, o sitiante cercou a área para evitar pisadas de animais e a destruição de novos objetos que pudessem ainda estar ali. “Foi muito interessante a sensibilidade que ele teve de proteger a área”. César diz que não pode revelar a localização do sítio onde foram encontrados os objetos, pois ele e a equipe da qual é integrante ainda estão procurando outras peças no local. O arqueólogo garante, no entanto, que o sítio arqueológico não se restringe a Patrocínio. “Essa região toda, o nordeste paulista, de Rifaina a Ribeirão Preto, do vale do Rio Pardo ao vale do Rio Grande, é extremamente rica em artefatos arqueológicos”. César cita como exemplo Igaçaba, distrito de Pedregulho, onde grande parte da população já teria encontrado pelo menos cacos de obras indígenas. “O trabalhador rural, no trabalho de lavra da terra, sempre encontra. Nossa região é rica tanto em artefatos arqueológicos como paleontológicos”. Além disso, o especialista acredita que muitas peças já se perderam na duplicação de rodovias e na construção de loteamentos. Ele explica que caso alguém encontre alguma peça deve encaminhá-la para o órgão responsável, como museus. “Toda e qualquer peça arqueológica é patrimônio da União. Existe uma lei e é crime a apropriação destas peças. É crime federal e inafiançável”. PEÇAS PERDIDAS Apesar da importância da descoberta, ela não foi a primeira na região. César diz que mais de 200 peças foram encontradas na década de 50 e direcionadas para São Paulo, para o Museu do Ipiranga. O objetivo agora é localizá-los para tentar trazer as obras de volta a Franca. “Eles nunca foram expostos e só foram utilizados para pesquisa. Eram machados, lâminas e outros materiais”. O arqueólogo comenta que as peças acabaram por tomar caminhos diversos para que pudessem ser estudadas e agora precisam ser encontradas.

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