Família doa órgãos do jovem morto em acidente


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José Roberto e Rosimar Vogado exibem foto do filho Willian e falam sobre a doação dos órgãos do jovem morto no dia 1º de janeiro: “Vamos levar felicidade às pessoas que precisam de um órgão. Ist
José Roberto e Rosimar Vogado exibem foto do filho Willian e falam sobre a doação dos órgãos do jovem morto no dia 1º de janeiro: “Vamos levar felicidade às pessoas que precisam de um órgão. Ist
“Entramos no Ano-Novo sofrendo uma dor muito grande, mas outras cinco famílias estão com uma alegria intensa. Meu filho salvou cinco vidas e eu ganhei cinco novos filhos. Isto traz um conforto enorme”. A frase é da dona de casa, Rosimar Penha Silva Vogado, mãe do estudante Willian da Silva Vogado, 16. Vítima de um acidente de trânsito, o garoto teve morte cerebral diagnosticada na segunda-feira e morreu no dia seguinte. Os seus órgãos foram doados. A família de Willian passaria as festas de fim de ano em um rancho no município de Delfinópolis (MG). A viagem estava marcada para a tarde de sábado, 29. O estudante resolveu sair um pouco antes e seguiu na moto do pai em companhia de um primo maior de idade. Quando passavam por uma estrada de terra perto do bairro rural da Porteira da Pedra, em Claraval (MG), o condutor passou por uma saliência e fez um movimento brusco. Willian, que estava na garupa, se desequilibrou e caiu, batendo com a cabeça em uma pedra. O capacete não estava preso corretamente e se soltou. “Foi uma fatalidade mesmo. Aquela pedra estava no lugar errado, na hora errada. Acho que Deus reservou aquilo para ele. A vida dele era moto. Morreu fazendo o que gostava”, comentou José Roberto Vogado, pai da vítima. Morador do Jardim Palma, José Roberto trabalha como mecânico de motos há 25 anos. Criado no meio dos veículos, Willian já havia aprendido a profissão e ajudava o pai nos consertos. Nas horas de folga, se divertiam fazendo trilhas com amigos pela região. “Ele era muito cuidadoso e sabia dos perigos. Gostava de fazer trilhas e nunca se acidentou. No dia em que estava apenas passeando foi se machucar de maneira tão grave. É o destino mesmo”. Na segunda-feira, 31, os pais foram informados de que a situação era irreversível e que os aparelhos que o mantinha vivo seriam desligados. Começaram a analisar a possibilidade de doar seus órgãos. Na manhã de terça-feira, 1º, os médicos constataram sua morte. “Conversei com minha mulher e chegamos num bom-senso, de que a nossa tristeza poderia se transformar em alegria para outras pessoas. Nosso caso já estava consumado, mas de quem aguardava um órgão, não. Por isto, decidimos fazer a doação para ajudar a salvar vidas”. Foram doados o coração, dois rins, o pulmão e o fígado de Willian. Os pais fizeram apenas um pedido: gostariam de, no futuro, encontrar os receptores para poder sentir a felicidade deles. Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, os órgãos foram encaminhados para a Central de Transplantes em Ribeirão Preto e serão distribuídos levando em conta a lista estadual de espera. “Espero que nosso gesto sirva de incentivo para outras pessoas. É preciso pensar no próximo e saber que nossa dor pode resultar em alegria para quem depende de um órgão para sobreviver. A morte de meu filho ficará marcada no coração”, finaliza Rosimar Vogado. No final da tarde, a Santa Casa informou que não houve tempo hábil para transportar o coração deWillian até o receptor.

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