Este é o tempo ideal para pensar no que fizemos e no que vamos fazer. Mesmo sendo esse tal de tempo algo infinito, ganhou contornos de alguma coisa com fim em si mesma e, ainda por cima, com terminação marcada pelo próprio calendário.
Desde que o homem encaixou a temporalidade em segundos, minutos, horas e dias, quarteto esse que pode ter surgido na forma invertida, sem dúvida tudo não passa de abstração mental. Houve como que uma tentativa de barrar o fluir normal e natural do tempo. De fazer com que ele deixasse de ser infinito e pudesse, pelo menos, ser contabilizado.
Prova disso está em que o novo ano já se inicia com os dias contados. Mas isso é bom. Já imaginou se hoje fosse o dia 732913 da era cristã? Chato, não? Assim, nada melhor que 2008 seja mesmo um espaço de tempo finito. O nascimento deste ano, como o de 2007 ou de qualquer outro, foi saudado à exaustão com a frase símbolo “Feliz Ano-Novo”.
Assim sendo, desde que se criou a contagem do tempo, você dispõe de 365 dias para ser feliz, 366 dias no caso do bissexto 2008. À primeira vista parece pouco, não? Mude a ótica, então. Numa outra roupagem, fique com 8784 horas. Se ainda não for o suficiente para sua felicidade, faça então uma nova conta. Multiplique 8784 por 60 e o resultado colocará você frente à quantidade de minutos que terá durante o ano.
Ao fazer estas contas, creia, a felicidade começa a se deslocar para o seu lado, pois ela gosta de ação. Apesar de momentânea, a felicidade é sempre dinâmica. Não pára. Por isso, para ser feliz, é preciso agir, lutar sem parar, a cada instante, ou seja, o ano inteiro. Se você não fizer nada, nem mesmo uma simples operação de multiplicação, este novo ano será igual – ou pior – que os outros.
Que tal então acompanhar o tempo, transformando-se em um processo infinito? Para que isso ocorra, basta tão somente amar, compartilhar, pensar, trabalhar, estudar, correr, plantar, colher, ajudar, rir (a única ação que se faz até de trás para a frente), caminhar, viajar, ouvir e, principalmente, aprender a esperar mais.
Não custa tentar. Todas essas ações são apenas algumas que podem conduzir você à felicidade. Ou, pelo menos, fazer com que você chegue perto dela. Ser feliz é uma questão de ação. Parado, ninguém consegue nada.
ANTÔNIO ARAÚJO é professor.
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