Barrado no Banco


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Todas as vezes que a estudante Fabrícia Cardoso, 20, vai ao banco a cena se repete. “Tenho que descarregar toda a minha munição (celular, moedas, sombrinha, entre outros objetos) na caixinha para conseguir passar pela porta”. E em uma das vezes que tentou entrar na agência de um banco no centro de Franca, quase se machucou. “A porta travou de uma vez por causa de algumas moedas e do guarda-chuva que eu carregava e bateu bem no meu nariz”. Além da dor que sentiu, Fabrícia também ficou muito envergonhada. “Todo mundo que estava na fila ficou me olhando”. A reportagem do Se Liga constatou que Fabrícia não é a única a viver esse problema. Em uma hora, 32 pessoas foram barradas pela porta giratória ao tentar ingressar em uma agência bancária do Centro. Apesar de muito populares e difundidas, pouca gente sabe como funcionam as portas giratórias com detectores de metal. Elas chegaram ao Brasil no início da década de 90. As primeiras cidades a testarem o equipamento foram São Paulo e o Rio de Janeiro. No início, eram capazes de barrar até poucas moedinhas, mas, aos poucos, por conta do número de reclamações, essa tecnologia precisou ser aperfeiçoada e hoje elas já conseguem deixar passar “algum” metal. A popularização dos equipamentos aconteceu em 1997, quando uma lei tornou obrigatória a instalação dos mesmos em agências bancárias. Diferente do que muita gente pensa, o que identifica a quantidade de metal encontrada no corpo ou bolsas das pessoas não é um raio-X. Na verdade, a “leitura” é feita por magnetismo. Um equipamento de dois metros que fica ao lado direito da porta gera um campo magnético capaz de identificar os metais. Um programa de computador, instalado na parte superior da porta, recebe as informações enviadas e “lê” a quantidade de metais que passa pelo local. Se ela for superior ao programado (normalmente o equivalente a uma arma), a porta trava. Como o campo magnético gerado para a leitura é de baixa intensidade, não ofereceo riscos à saúde. A esta altura você deve estar se perguntando por que, então, as portas travam quando você está com uma quantidade de metal bem menor do que a existente em uma arma. A resposta é simples. A porta trava porque está desregulada ou regulada para identificar níveis menores de metais. “Não existe uma regulagem padrão. As portas são fabricadas para trabalhar com uma escala que varia de 1 a 99 pontos de sensibilidade. Cada comprador escolhe o que quer determinar como padrão. A maioria dos nossos clientes regula a máquina para algo em torno de 80 pontos, o equivalente a uma arma de fogo”, disse o técnico da Automatic Portas, de Ribeirão Preto, Danilo Neves. Muitas vezes, você pode até achar que quem “barra” a porta é o vigia do banco que tem o controle remoto nas mãos. Mas a assistente comercial da fabricante Detectamax, de São Paulo, Sílvia Molari, explica que isso não é possível. “No controle remoto, há um mecanismo apenas para destravar a porta, quando o segurança achar necessário. Não teria como ele travar”. Nos aeroportos, por exemplo, a sensibilidade nas portas é maior ainda. “Para pegar canivetes, estiletes, lâminas, entre outros”, disse Sílvia. Já quando há falta de energia, os detectores de metais funcionam através de baterias, pelo sistema “no break”, durante 4 horas. O preço de uma porta desse tipo varia de R$ 10 mil a R$ 20 mil. “Dependendo do tipo de acabamento, se em vidro blindado ou aço escovado, dos ajustes de sensibilidade da máquina e de outras características”, explicou o diretor da fabricante Segury Sistem, de São Paulo, Robson Lisboa, que vende, em média, 50 portas giratórias por mês. Para garantir a eficácia no funcionamento das portas giratórias, é necessário que a manutenção do equipamento seja feita a cada seis meses. “E elas poderão durar, no mínimo, dez anos”, garante Robson. Até o momento, segundo os técnicos consultados, ninguém comprou uma porta giratória para colocar em sua casa como mais uma medida de segurança. “Elas são mais usadas por empresas e bancos”.

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