Frei Mauro: ‘Estou tão bem, que gostaria de continuar em Franca’


| Tempo de leitura: 3 min
Frei Mauro reza. Para ele, transferência representa um desafio
Frei Mauro reza. Para ele, transferência representa um desafio
Nos seus últimos dias em Franca, frei Mauro Luiz Oliveira, 41, pároco da Paróquia São Judas, falou ontem pela primeira vez ao Comércio sobre sua transferência para Ribeirão Preto. O religioso celebrará missa pela última vez na cidade no próximo domingo e deve seguir de mudança definitiva para Ribeirão na segunda-feira, 7. “Não falei antes porque achei que deveria anunciar primeiro aos fiéis”, disse. Frei Mauro está emocionado com a mudança, disse que chorou, que se pudesse escolheria permanecer em Franca e que vai com a esperança de retornar à cidade. Comércio da Franca - Frei, foram 13 anos em Franca. É uma vida. Como o senhor deixa a cidade? Frei Mauro Luiz - É uma vida. E que vida. Vivida intensamente. Deixar a cidade fisicamente é um processo de transição que está sendo exigente. Humanamente estou angustiado, mas como religioso estou em paz, afinal de contas os votos que fiz ninguém impôs, eu abracei, eu me prostrei diante do altar e de Deus. A minha vida está nas mãos de Deus e encaro como um novo desafio para mim. Como deixo a cidade? Deixo de um lado em paz porque há uma boa convivência, mas sentindo também uma dor natural à transição porque existe laços. Comércio - A decisão não coube ao senhor. Se pudesse escolher, ficaria em Franca? Frei Mauro - A vida do religioso não é de escolhas. Ele escolhe ser consagrado. Até falei no Conselho (da Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, Ordem que define transferências dos frades franciscanos) do qual eu faço parte que seria bom se continuasse ao menos três anos, mas isso é uma visão limitada. Fiquei preso na visão do meu serviço, do serviço da fraternidade de Franca, quando o leque se abre e se vê os novos desafios e não prevalece mais a escolha. Obviamente, estou tão bem que gostaria de continuar, mas repito, não estou com nenhum sentimento de indignação ou raiva pelo fato da Ordem exigir que eu abrace um outro desafio em outro lugar. Comércio - Tem possibilidade do senhor retornar? Frei Mauro - Com certeza há uma esperança, porque nossas fraternidades estão apenas em sete cidades. E como é gratificante sair bem porque existe essa possibilidade de voltar. Comércio - O senhor pretende visitar e celebrar em Franca, como no Hallel? Frei Mauro - Sendo convidado e a agenda de compromissos permitindo... Há um desejo e as portas também estão abertas. Comércio - Como está sendo a despedida? Frei Mauro - Exigente, porque neste momento não vem só a minha dor, mas a de quem está ligado comigo. São muitas pessoas. Estou em paz. Sinto isso. É exigente, mas seria anormal se não o fosse, afinal entreguei minha vida totalmente aqui. Vou com esperança de que os fiéis sejam confortados, assistidos e respeitados pelo sofrimento com essa transição. Comércio - Qual lembrança guardará de Franca? Frei Mauro - Toda resposta corre risco de ser um pouco incompleta. Até porque os sentimentos ficam à tona, mas a maior lembrança é que a acolhida é tão divina e humana. Como fui acolhido e acolhi as pessoas, só podia ser sinal de Deus. E, uma vez que é divina e humana, pode ter sua limitação pelo lado humano. Você se esforça para acolher bem, mas há momentos em que você não está muito bem consigo, então fica a desejar. Mas quando você fala à alma, quando estende o braço, quando derrama lágrimas... eu hoje derramo lágrimas de saudade, mas chorei muito de emoção pelas homenagens... Franca permitiu demonstrar que Deus armou sua tenda entre nós. Será difícil falar “francamente”, porque para mim Franca permitiu viver a verdade, a amizade, o calor humano, a família mais ampla. Franca é acolhedora. Não há como esquecer.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários