Em 2007, 2160 cachorros e gatos foram sacrificados no Canil Municipal de Franca. É como se um animal fosse executado a cada quatro horas. A carrocinha recolhe nas ruas de 150 a 200 bichos por mês. Destes, apenas 10% são resgatados pelos donos ou adotados e escapam da morte. O restante é sacrificado com uma injeção letal, pois a Prefeitura não tem condições de mantê-los. Essas médias, segundo Fernando Baldocchi, chefe da Vigilância Sanitária, se mantêm há, pelo menos, três anos.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, que é também veteri-nário, considera os índices altos para uma cidade como Franca. “É muito alto. O ideal era que rodássemos com o sistema de captura e não encontrássemos nenhum animal. Não é que achamos ruim as pessoas terem animais. Muito pelo contrário, oferecemos vacinas para o controle das zoonoses, mas os donos não podem deixar os cachorros soltos. Eles vão sofrer à toa”.
Para ele, as pessoas precisam agir com mais responsabilidade quando criam um animal de estimação, terem a chamada “posse-responsável”. “Se as pessoas não deixassem os animais soltos à toa, não haveria as mortes”. O secretário alertou para os riscos dos bichos permanecerem perambulando pelas ruas, pois podem ser atropelados, sofrer agressões ou agredir alguém. “Além de colocar o proprietário em risco, porque na rua pode adquirir alguma doença, seja verminose, sarna, raiva ou leishmaniose e voltar para casa levando a doença”.
Segundo Alexandre, Franca não tem mais cachorros de rua e as centenas deles capturadas todos os meses têm donos. “As pessoas adquirem o bicho novinho, ainda filhote, acham uma belezinha, mas quando crescem os dei-xam de lado, soltos à sua própria sorte”.
Fernando Baldocchi explicou que a captura de cães e gatos faz parte de um trabalho mais amplo, o de controle da raiva. “Além do recolhimento das ruas, fazemos pesquisas de circulação do vírus rábico, envio de material para análise, acompanhamento de acidentes com mordedura, vacinação contra raiva e a eutanásia. Nosso propósito é evitar que as pessoas contraiam raiva, porque ela não tem cura”.
COMO É
O Canil Municipal fica instalado no Bairro City Petrópolis. O local tem capacidade para cerca de 300 animais, que ficam em baias. A manutenção dos 200 recolhidos a cada mês custa aos cofres públicos entre R$ 17 e R$ 20 mil. “Gastamos de R$ 5 a R$ 7 mil com ração, de R$ 3 a R$ 4 mil entre água, energia e funcionários, mais R$ 9 mil com captura”, disse o secretário Alexandre Ferreira.
A partir do momento que o animal é levado pela carrocinha, fica cinco dias à espera de ser resgatado pelo dono ou adotado por alguém. Se isso não acontecer, acaba morto. Antes, os corpos eram incinerados, mas agora seguem para o aterro municipal.
Para recuperar ou adotar o cachorro ou gato, é preciso apresentar documento pessoal e um comprovante de residência. O Canil fica na Rua José Gianesella, 415, no City Petrópolis, e o telefone é (16) 3703-7657.
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