Mambrini: da Presidência à cassação


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Em apenas três anos, Marcelo Mambrini (PMN) vivenciou muitas experiências na Câmara. Vereador de primeiro mandato, chegou, em seu segundo ano no poder, ao cargo mais cobiçado do Legislativo. Foi presidente da Casa de Leis francana por um ano. Complicou-se. Criou inimigos e polêmica por propor leis classificadas, por seus próprios pares, de “esdrúxulas”. Ganhou apelidos: asno, folclórico, extravagante. Sua trajetória política, agora, pode chegar ao fim. Ele corre risco de não terminar seu mandato. Pode ser cassado. Como o divulgado com exclusividade pelo Comércio no último sábado, um vídeo amador confirmou que o vereador pegava para si metade (R$ 800) do salário líqüido de sua ex-assessora Lara Cristina Rodrigues. Além de entregar o vídeo, Lara afirmou em seu depoimento que a divisão do ordenado era obrigatória e condicionava sua continuidade no emprego. Em pouco mais de um ano, Mambrini teria recebido R$ 10 mil. As conseqüências, em casos comprovados de divisão de salários, costumam ser severas. Em caso semelhante, ocorrido em 2002, a então vereadora Joana Leal (PT), de Ribeirão Preto, teve que renunciar ao cargo de secretária de Educação que ocupava. Ela dividia, como Mambrini, o salário de dois assessores. Também deixou a Câmara para não ser cassada e nunca mais conseguiu eleger-se para cargos públicos. A cobrança ocorreu em 1999, durante o segundo mandato de Joana como vereadora. Como no caso de Mambrini, a situação foi gravada. Mesmo com o precedente, o vereador francano, porém, não parece preocupado com a chance de perder o mandato. “Vou ver a fita, se é que ela existe, e procurar orientação de um advogado. De toda forma, gravação não-autorizada não serve como prova de nada”, disse, em entrevista à rádio Difusora. ENROLADO Com a confirmação em mãos, o MP (Ministério Público) abriu inquérito onde acusa Mambrini pelo crime de concussão, ou seja, exigir, para si ou outros, de vantagem indevida. De acordo com o artigo 316 do Código Penal, tal crime prevê pena de dois a oito anos de reclusão, além de multa, em caso de condenação. Não é só. Paulo Borges, promotor de Justiça responsável pelo caso, deve protocolar uma ação de improbidade administrativa contra Mambrini, o que pode fazer com que ele perca os direitos políticos. Além disso, conversou com o presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), que prometeu providências sobre o caso. A comissão de Ética legislativa deve se reunir, em fevereiro, para decidir o encaminhamento do caso. A chance de cassação é grande. “Há uma gravação feita pela ex-assessora que comprova o que ela declarou. A situação de Mambrini está complicada”, disse Borges.

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