Está em cartaz em São Paulo, no teatro da Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP (Rua Alagoas, 903 - Higienópolis) a peça teatral Ensina-me a Viver. Produzida pelo excelente ator Arlindo Lopes, em parceria com Maria Siman, a peça foi dirigida por João Falcão e escrita por Colin Higgins, tradução de Millôr Fernandes.
Trata-se de uma adaptação para o teatro do filme exibido em 1971 com o título Harold e Maude. Aqui no Brasil foi encenada pela primeira vez pela consagrada atriz Henriette Morineau. Na atual versão, nos papéis principais estão Glória Menezes (em excelente perfomance) e o jovem ator/produtor Arlindo Lopes, que já atuou nas novelas Sabor da Paixão e Da cor do Pecado e que tem uma atuação brilhante.
A trama da peça se desenrola em torno de Harold, um garoto fascinado pela morte, diríamos melhor, pela perspectiva do fim e que se encontra com uma velhinha, Maude, às vésperas de completar 80 anos e que ama a vida, adora viver. Harold é filho de uma família rica que não lhe dá a devida atenção, principalmente à mãe, sempre envolvida com sua vida pessoal. Por isso, o jovem ensaia o suicídio várias vezes. Ele não tem, apenas, a intenção de se matar mas, sim, a de chamar a atenção para os seus problemas. A mãe contrata um psiquiatra que tenta entender Harold. Depois, são convidadas três moças para conquistar o coração do rapaz. Saem decepcionadas.
Então, há o encontro casual de Harold e Maude. Ela mostra a ele uma nova vida. Uma nova maneira de encarar a existência. Uma filosofia alegre de viver. Valores que, até então, Harold não conhecia. Surge um grande amor entre os dois.
Paremos por aqui, para não tirar o sabor da surpresa para os que vão assistir à peça ou que desejarem alugar o filme nas locadoras. Alguém perguntará: ‘Aonde você quer chegar falando sobre a peça?’ É uma crítica teatral? Não! Não nos atrevemos a tanto. Porém, ante este ano-novo, acreditamos que o texto nos leve a refletir sobre os valores sobre os quais temos construído nossa maneira de ser. Vivemos numa sociedade consumista, que só valoriza o êxito (e não a luta), a vitória (e não o esforço), o dinheiro (e não a pessoa), a matéria (e não o espiritual). Entretanto, conforme leciona o texto, há outros valores a serem considerados. Valores que nos ajudarão a construir a felicidade, combatendo o egoísmo, o individualismo, tão característicos da época atual. Com a chegada de 2008 é preciso fazer um balanço geral e verificar onde e no que estamos colocando os nossos valores. Na transitoriedade ou na perpetuidade ?
O que é, atualmente, mais importante para nós? Continuar vivendo um religiosismo de fachada, inconseqüente? Diz o ditado: ‘Ano novo, vida nova’. Será ? Não podemos continuar fingindo de ‘viver’. É preciso acolher o ensinamento de Sócrates, repetindo o oráculo de Delphos: ‘Conhece-te a ti mesmo!’ Sem nos conhecermos profundamente, não iremos a lugar nenhum.
É preciso renovar e modificar as nossas metas. É preciso viver 2008 com objetivos factíveis de mudança. Mudança para melhor. Melhor espiritualmente, moralmente. Este é o desafio que o próximo ano propõe para nós. Tornarmo-nos melhores a fim de que o mundo melhore. Os outros mudarão? Isto já não é problema nosso. O nosso problema é a nossa mudança para melhor. Façamos o que nos compete e aguardemos que a vida faça a outra parte.
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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