100 vidas perdidas em vão


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2007 foi um ano violento. Como repórter policial do Comércio, acompanhei de perto as tragédias que abalaram a sociedade francana ao longo do ano que findou. Quase todas as semanas, algum acidente com mortos. Por mais experiente e acostumado com a realidade das ruas, sempre choca encontrar um corpo estendido no chão. O desespero de familiares e amigos é marcante, dolorido. Seria importante que os chamados “especialistas em trânsito” acompanhassem ocorrências do tipo “in loco”. Por mais desagradável que seja, talvez surtisse efeito imediato na ação esperada dessas autoridades. Ação que não vem. Certamente deixariam de insistir em questionar os números apresentados por este jornal diariamente. Certamente deixariam seus gabinetes e fariam algo para que a matança no trânsito fosse reduzida. Não me canso de perguntar como pode uma via importante como a Avenida Brasil registrar seis acidentes com mortes em apenas 11 meses e o Poder Público ficar estático? Tão grave quanto, é saber que 22 pessoas morreram ao longo do ano na Rodovia Cândido Portinari, entre o Franca Shopping e Pedregulho, e que as vidas perdidas foram em vão, pelo menos para quem poderia (e deveria) tomar providências efetivas. Claro está que a imprudência cerca boa parte dos acidentes, mas o fato é que o perigoso trecho fechará o ano como começou: sem nenhuma melhoria nas condições de segurança. No dia-a-dia das coberturas policiais, foi possível ver que a inércia das autoridades não está restrita apenas ao trânsito. Quase a metade dos assassinatos registrados no ano ainda não foram esclarecidos pela polícia. Quem acompanha de perto sabe que uma dose maior de empenho por parte de quem é pago para investigar poderia aliviar o sofrimento dos familiares das vítimas. Ao longo do ano, as polícias Civil e Militar montaram grupos de elite e participaram de treinamentos realizados em matas e pedreiras. Mas passou da hora de deixar a ficção de lado e encarar a realidade. A violência está nas ruas da cidade, onde mais de 600 pessoas foram vítimas de roubo em 2007. Igual número de vítimas tiveram seus veículos levados por ladrões. É possível e é preciso melhorar a segurança. Basta um pouco mais de vontade. Que neste Ano-Novo a polícia deixe as estatísticas e teorias de lado e parta para a ação; que os comandantes cobrem mais de seus comandados. O cidadão que paga seus impostos precisa de uma resposta. EDSON ARANTES é reporter de Polícia do Comércio da Franca.

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