Produzir lingerie em pleno pólo industrial calçadista. O que até pouco tempo atrás era considerado algo pouco provável de se obter sucesso, é uma realidade comum para cada vez mais pessoas na cidade. E um dos casos de maior sucesso é o de Lázaro Adriano Zani, 40, dono da Larulp. A idéia seguida por ele era simples: usar toda a infra-estrutura utilizada pelas fábricas de calçados, como logística, fornecedores, maquinário, galpões e mão-de-obra para fabricar roupas. Com know how de três anos de experiência na maior empresa de alimentos do mundo, a Nestlé, e uma forte ambição, em três anos Adriano, como é chamado pelas pessoas próximas, conseguiu transformar sua empresa anônima em uma das maiores do setor na cidade.
Natural de São Sebastião do Paraíso (MG), Adriano sempre soube que teria de batalhar muito para conseguir sucesso. Filho de um pedreiro com uma manicure, foi tentar a vida na metrópole. Em São Paulo, trabalhou durante oito meses no departamento de circulação de uma revista até conseguir emprego na Nestlé, época em que chega a Franca para trabalhar na área comercial da empresa, visitando clientes. Segundo ele, na Nestlé pôde conhecer as engrenagens do mundo empresarial e dos negócios. “Trabalhei na Nestlé três anos e posso dizer que ela foi uma faculdade para mim. Hoje, tudo que eu aplico na minha empresa, o sistema administrativo, a gestão comercial, a parte de informatização, tudo veio da Nestlé”.
Depois disso, resolveu, junto ao irmão, tentar o ramo de confecções. Três anos depois percebeu que era momento de alçar vôo próprio e resolveu dissolver a sociedade e montar seu próprio negócio. Começa aí a história da Larulp. Adriano, sua mulher e mais três funcionários começaram timidamente, com uma produção de 200 peças por mês. O sucesso veio rápido e hoje sua produção já é de 15 mil peças/mês. Outro dado que é prova de seu sucesso é o número de funcionários, que em três anos cresceu mais de 14 vezes, chegando a 44 neste final de ano. O sucesso de sua marca, diz Adriano, é produzir produtos diferenciados, com alto valor agregado, mesmo que para isso tenha que abrir mão de oportunidades que são o sonho de outros empresários. Já recebeu propostas para fornecer peças para, pelo menos, duas grandes redes varejistas. A precaução, no entanto, falou mais alto que o deslumbramento e, pela experiência que teve dentro da multinacional, percebeu que seus produtos nestas lojas seriam apenas mais um, além de não ter garantia de que as compras continuariam.
Por isso, resolveu apostar em sua marca e fortificá-la. Deu certo. Os pedidos hoje vêm de mais de cinco Estados e três Países da Europa. As exportações, no entanto, não são seu alvo principal a curto prazo. A intenção é fomentar ainda mais as vendas no País. Para isso, desenvolveu uma coleção com estilo próprio, com peças que se diferenciam pelos detalhes, sejam bordados ou de cortes diferentes. “Hoje o que eu faço é procurar estar sempre fora da concorrência direta. Eu busco caminhos alternativos. Não quero ser simplesmente mais um no mercado, quero ser é respeitado”.
Para isso, muita ambição e vontade de crescer. “Eu sou um cara que tenho ambição. Como ouvi o Faustão dizer uma vez: ‘Eu estou na vida para desfilar na passarela e não para ficar na arquibancada e ver a vida passar’”. Adriano não revela os lucros e rendimentos da empresa.
E não é só o segmento empresarial que o diferencia de boa parte dos industriais francanos. Sua visão de mundo também é bastante diferenciada. Não contente com o sucesso que conseguiu, Adriano diz que é necessário estar em constante aprimoramento neste mundo globalizado e com mudanças cada vez mais rápidas. Por isso, o velho jargão “tempo é dinheiro”.
Nas horas vagas, quando a maioria pensa em descansar e ter atividades de recreação, ele aposta na leitura de livros ligados à sua atividade. É um verdadeiro workaholic.
Apaixonado por Franca, cidade em que está há mais de 18 anos e onde nasceram seus dois filhos, uma de 18 e outro de 14 anos, ele comenta que a cidade é um “gigante adormecido”, se referindo ao potencial não aproveitado pelos moradores e empresários locais. Para ele, a vocação industrial da cidade deveria ser melhor utilizada para diversificar sua produção e não depender apenas do sapato. Aí se destaca seu segmento, comenta, mas não apenas o de peças íntimas, mas de todo o setor. “Franca tem tudo para se tornar um pólo de confecção. Hoje eu tenho aqui tudo que eu preciso na questão de mão-de-obra, fornecimento de máquinas”. Ele ressalta ainda que diferente do que muitos imaginam, é perfeitamente possível conciliar os dois setores manufatureiros. “Nada para substituir o calçado. Tudo aqui favorece para que a cidade tenha mais um pólo industrial”. E o prognóstico parece já se consolidar. A cidade viu em 2007 uma expansão do setor, com direito até mesmo a feira na Praça Nossa Senhora da Conceição, a criação de uma cooperativa e a liderança na busca por empréstimos no Banco do Povo de Franca.
Para quem ainda duvida que esse mineirinho assumiu a capital do calçado como terra do coração, ele é enfático. “Isso aqui para mim é o céu. Eu adoro esta cidade. Aqui consegui me realizar. Isso aqui para mim é tudo de bom. Não largo mão disso aqui por nada”.
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