Almoçar em casa e levar os filhos à escola são prioridades no cotidiano da professora de inglês, Eneida Gomes Nalini de Oliveira, 39. Casada e mãe de dois filhos, de 15 e 5 anos, ela tem quatro empregos em locais diferentes e, aos finais de semana, ainda consegue encontrar tempo para se dedicar, voluntariamente, a um projeto de arte e educação. Diferente do que se possa imaginar, a rotina de Eneida não é exceção em Franca. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) atualizados, mostram que hoje cerca de 5,7 mil pessoas ou 10% dos trabalhadores ativos do município têm mais de um emprego.
Eneida já se acostumou com a longa jornada e, para cuidar da casa e da família, conta com a ajuda do marido, que também é professor, da sogra e da mãe. “Eles são meus braços direitos e me ajudam no dia-a-dia”.
A professora trabalha, de segunda a quarta-feira, na Escola Toulouse Lautrec; de segunda, quarta e sexta, na Unifran (Universidade de Franca); terça e quinta-feira, na Cultura Inglesa e, às quartas e quintas-feiras, na Escola Vivenda. São, em média, dez horas de trabalho todos os dias. “De segunda e quinta-feira, saio de casa antes das 7 horas e só retorno depois das 21. Quando chega o domingo, estou cansada, mas com a sensação de dever cumprido e feliz com a minha produção”.
Outro que vê com bons olhos o exercício de dois trabalhos diferentes, embora na mesma área, é o designer gráfico Renato Assis Borges, 26. Ele trabalha há quatro anos na Telephoto, na área de criação, em horário comercial, e, à noite, faz um extra com serviços de diagramação e criação de páginas de internet. “De terça a sexta-feira, trabalho em média 12 horas por dia”.
Renato que, na maioria dos dias, sai de casa antes das 8 horas e só retorna após as 22h30 ganha, em média, R$ 3 mil. Se fosse apenas um emprego, os ganhos do designer não passariam de R$ 1,2 mil.
Para o economista Elvisney Aparecido Alves, o exercício de dupla, tripla ou, às vezes, quádrupla jornada é uma tendência de mercado que surgiu a partir dos anos 90, com a expansão da prestação de serviços. “As empresas passaram a adotar um processo de diminuição de custos e a terceirizar os serviços. Além disso, houve enxugamento de cargos administrativos. Com isso, sobrou tempo para as pessoas buscarem outro emprego para completar a renda. Seria uma nova forma de trabalho, que já está solidificada”.
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