No espírito natalino a Igreja celebra a Festa Solene da Sagrada Família, a família constituída por Jesus, José e Maria.
Esta festa foi proclamada, no século XX, pelo papa Leão XIII. O Concílio Vaticano II fixou sua celebração no primeiro domingo que segue o Natal.
Deus vem ao mundo através de uma família: a família de Nazaré.
A família, apesar da fragilidade humana e mesmo sofrendo tantas agressões, é ainda hoje proclamada como espaço privilegiado e insubstituível de proteção e promoção da vida humana e cristã.
A primeira leitura, retirada do Eclesiástico, relembra o valor do quarto mandamento da lei de Deus: honrar pai e mãe. A relação familiar se mede pelo respeito, pelo amor e pelo cuidado e carinho que se cultiva para com os pais.
Na Bíblia se exalta a família que teme ao Senhor e este promete-lhe felicidade e bênção.
A segunda leitura traz um texto de Paulo que orienta sobre a convivência familiar baseando-se acima de tudo no amor, vínculo da perfeição. A vida, tanto na grande comunidade como na pequena, a família, exige desapego e perdão. O apóstolo tem uma pedagogia maravilhosa para falar sobre os deveres dos pais em relação aos filhos, do amor do coração dos filhos para com seus pais e do zelo que deve existir entre o marido e a mulher.
O evangelho retrata a fuga da família de José para o Egito. O motivo era tremendo: Herodes, ao saber da vinda do Messias Salvador, determinara que matassem todos os recém-nascidos. A Sagrada Família só retornou para Nazaré depois que Herodes morreu.
O evangelho nos faz relembrar os inúmeros sacrifícios que os pais enfrentam para ajudar seus filhos em todas as circunstâncias. A festa da Sagrada Família dá um impulso para caminharmos na fé, na permanente sintonia com Deus.
Em nossos dias existem muitas ameaças contra a família. Existem muitos Herodes querendo matar a família.
As crianças, às vezes, sofrem pela falta de amor e de aconchego, a falta dos bens materiais necessários para viver: não tem uma casa para morar, não se alimentam saudavelmente, não conseguem estudar, vivem marginalizados.
A adolescência e a juventude são ameaçadas pelas drogas que matam de muitas formas, arrancando a “alma” da pessoa. A família inteira sofre. Quantos lares não tiveram a felicidade de se reunir neste período de festas familiares pelo desastre da “droga” que retirou a paz destes lares? Os casais são ameaçados pelo desquite, pelo divórcio, pela falta de compreensão, pelo desamor, pela falta de perdão. Muitos idosos não têm, ao final da vida, o carinho dos mais novos e por isso, enfrentam o peso da solidão. O desemprego é outro mal que faz a família sofrer tanto como se vivesse no inferno.
Mas muitas coisas boas dão sentido a tantas famílias: os pais que amam e protegem seus filhos e os conduzem por caminhos sadios e seguros. Sabem que não é possível deixá-los vivendo qualquer experiência e que precisam ser acompanhados e auxiliados.
O ensinamento que produz o respeito, a solidariedade e o desprendimento. O ensinamento que nos faz acolher os outros, respeitando as diferenças que existem. A prática religiosa: a fé, a escuta da palavra de Deus, a comunhão, a oração familiar.
Saber partilhar: muito dinheiro nas mãos nem sempre é bom. Desde cedo os filhos devem partilhar um pouco do que têm com aqueles que lhe deram tudo e que podem continuar oferecendo, mas tal atitude produz responsabilidade.
Muitos outros valores existem. Vamos vivê-los na nossa família.
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