O destino político de Marcelo Mambrini (PMN) está nas mãos da Comissão de Ética da Câmara de Franca. O vereador foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de se apropriar de parte do salário de sua ex-assessora, Lara Cristina Rodrigues, durante mais de um ano. De acordo com ela, o repasse era de R$ 800, metade de seu ordenado líquido. Além do depoimento, Lara apresentou ao MP um vídeo onde a partilha com o vereador foi filmada. Lara foi exonerada em 29 de agosto, segundo ela, depois de ter se negado a continuar com a divisão.
Agora, os três integrantes da comissão, Valter Gomes (PSB, presidente), Gilson Pelizaro (PT, relator) e Donizete da Farmácia (PMN) terão de decidir pela representação em plenário contra Mambrini por quebra de decoro parlamentar, que pode terminar com a cassação do mandato do sargento.
Pelizaro já antecipou que seu posicionamento não ficará atrelado à decisão da comissão e que ele poderá, se entender que Mambrini é culpado após analisar o inquérito do MP e o vídeo, assumir pessoalmente a representação. “Claro que vou me reunir com os colegas para discutir, mas se houver indícios eu agirei, independente de qualquer outra ciosa”, disse.
Mesmo Donizete, que é do mesmo partido de Mambrini, ressaltou a importância da investigação. “Acredito na inocência do Mambrini até que se prove o contrário, mas a gente tem de agir pelo que é certo. E é o que eu farei”.
O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), que trocou algumas farpas com Mambrini nos últimos meses, também pode abrir procedimento investigatório. Teria chegado a se comprometer no MP a tomar todas as providências necessárias. Mas, de acordo com funcionários da Câmara, Ribeiro teria dito que passaria o “pepino” para a Comissão de Ética.
Ele não foi encontrado na sexta-feira para comentar. Especialistas consultados disseram que Mambrini deve responder processo na Câmara por quebra de decoro. “É uma situação grave e que, se comprovada, dá cassação de mandato e perda de direitos políticos. A não ser que o vereador renuncie antes”, disse o cientista político Maximiliano Martim Vicente.
Mambrini foi discreto ao falar sobre as acusações da ex-assessora e do MP que pesam contra ele. Alegou que ainda não foi notificado oficialmente sobre o depoimento de Lara e que por enquanto prefere não se manifestar com profundidade sobre o caso.
NA JUSTIÇA
Além das dores de cabeça na Câmara, Mambrini terá de se entender com a Polícia Civil. O promotor de Justiça, Paulo Borges, requereu, na sexta-feira, abertura de inquérito criminal na Delegacia Seccional para apuração de crime de concussão (exigir para si ou terceiros por vantagem indevida) por parte do vereador. Pelo código penal, a prática pode acarretar pena de reclusão de dois a oito anos.
Além disso, Borges abrirá ação civil pública contra Mambrini sob acusação de improbidade administrativa. Se condenado, o parlamentar poderá perder seus direitos políticos. “Tão logo o Fórum volte do recesso entrarei com a ação”, disse o promotor.
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