A crise na indústria de calçados de Franca, que ameaçou a paralisação das forças produtivas das empresas francanas nos últimos anos, foi desde o começo tema de reportagem e textos do Comércio da Franca. Pesquisas, entrevistas, consultas e outras modalidades de análises e comentários explicaram a saciedade para a comunidade francana, a natureza e as causas à crise, salientando os erros da política econômica do Brasil no trato dos negócios internacionais, principalmente a pressão avassaladora da China e a queda do dólar. Os esforços dos calçadistas francanos, numa batalha heróica de salvação, estão sendo co-nhecidos e divulgados pela imprensa paulista, mostrando a corajosa batalha de uma serena alteração em métodos de comercialização, onde o mercado interno vai conseguindo êxito sobre êxitos.
Cumpre dar relevo ao traba-lho jornalístico da Folha de São Paulo, da capital do Estado, através dos artigos do jornalista Marcelo Toledo, profissional de largo tirocínio e cultura, publicados recentemente: na edição da Folha, dias 24 e 26 deste mês. Na edição do dia 24, a reportagem veio com este título: “Novos gigantes do calçado de Franca afastam a crise”. No dia 26, o título do artigo revela o espírito de confiança do repórter: “Mercado interno recupera setor calçadista”. Em ambos os artigos, são analisados os esforços dos tradicionais calçadistas, pondo em revelo a sua visão e a sua experiência industrial no sentido de recuperar os bons resultados de antigamente.
Quem conhece a história da indústria calçadista de Franca sabe que a qualidade dos calçados aqui produzidos se caracte-rizam pelo uso dos melhores e mais belos tipos de couros, com “designers” e modelos sedutores. E foi para manter essa performance no mercado interno que se realizou o desafio. E o jornalis-ta sublinha: “Mariner, Demo-crata, Opananken, Ferracini e Calvest surgiram com vocação para atender o mercado brasi-leiro”. Há outras fábricas, mais novas, que estão se preparando para enfrentar os problemas do mercado. A certa altura, afirma: “Empresas consideradas novas, com menos de 20 anos de mercado, são os novos gigantes do setor e fazem parte do seleto grupo de 13 fábricas que empregam mais de 500 traba-lhadores na cidade”.
Nessas duas reportagens (Dias 24 e 26 p.p)-Marcelo Leite não deixa de se referir a duas empresas (antigas) que lutam pela sobrevivência: Sândalo e Samello. Ouvindo a direção da “Calçados Sândalo”, uma das maiores de Franca, colheu o jornalista dois informes: a) Sândalo terceirizou há pouco suas indústrias; b) “ A Sândalo prevê o lançamento de 30 linhas de calçados em 2008.” Por seu turno, o industrial Miguel Sábio de Melo, presidente da “Calçados Samello” (em recuperação), afirmou ao repórter da Folha. “Queremos voltar estruturados, sem medo de começar e ter de parar. A marca ficou desgastada (com a paralisação), mas tem força para voltar”.
Franca se rejubilia com o interesse da imprensa paulista em anunciar os esforços da indústria calçadista francana que, com grande visão comercial, vai vencendo corajosamente a crise que ameaçava asfixiá-la. Que o Ano-Novo confirme essa perspectiva!
Alfredo Palermo é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras
e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 50 anos.
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