A expectativa da turma de aproximadamente 50 francanos era grande. Réveillon em frente à praia, muito sol durante o dia e o espetáculo dos fogos de artifícios durante a virada. Tudo isso em plena Ilha Comprida, uma Área de Proteção Ambiental (Apas) Federal e Estadual. Verdadeiro paraíso no litoral sul de São Paulo.
Aos poucos, no entanto, o paraíso foi dando sinal de que poderia muito bem se transformar em um “purgatório” ou até mesmo no “inferno”. Os indícios começaram já no embarque: segundo os passageiros, ninguém da agência acompanhou os clientes na viagem. Na chegada à ilha, outra surpresa: existia um pedágio a ser pago para entrar no local e a agência não havia disponibilizado recursos para isso. Imprevistos de viagem, que sempre acontecem.
O valor dividido pelas pessoas que estavam no ônibus, 48 no total, todos francanos, daria R$ 1 por pessoa. E “dáli” estrada, porque afinal de contas não eram 9 horas da manhã e todo minuto na praia é precioso. Ao chegar no hotel, após quase dez horas de viagem, outra surpresa desagradável: a agência não havia pago a segunda parcela da reserva. Além disso, a hospedagem estava marcada para sábado e não sexta-feira, data da chegada da turma, como a agência teria programado.
Conversa dali, conversa daqui e, à medida que os quartos foram desocupando, os integrantes da excursão idealizada pela Ângelus Viagem e Turismo, com sede no Centro de Franca, foram ocupando seus quartos. Isso até dar o preço que havia sido pago. Conclusão: quatro famílias, com 16 pessoas no total, entre elas idosos, ficaram no olho da rua. “Nós pagamos antecipado e agora não temos onde ficar. Estou com uma mulher grávida aqui e agora não temos onde ficar”, disse o representante comercial Fransérgio Negrijo, desesperado com a situação.
A esposa de Fransérgio, Samantha Teixeira Junqueira Negrijo, grávida de cinco meses, comenta que já na viagem passou apertado. “Fiquei dez horas no ônibus sem poder ir ao banheiro. Imagina, uma mulher grávida sem poder ir ao banheiro”.
De acordo com o proprietário do Hotel Werneck em Ilha Comprida, Paulo Werneck, foram feitos alguns contatos com a responsável pela agência de viagem, identificada apenas como “Cidinha”. De acordo com ele, primeiro ela havia dito ter feito o depósito; depois, ainda segundo Paulo, ela disse que estaria indo ao banco fazer o mesmo. Mais tarde, chegou a questioná-lo se não poderia efetuar o pagamento após as festas de Ano Novo. “Me explica: o que eu vou fazer? Como vou deixar o pessoal ficar hospedado aqui para receber depois? Que garantia eu tenho?”, questionou Paulo à reportagem do Comércio.
Enquanto seus clientes quebravam a cabeça para descobrir como sair da “en-rascada”, em outro lugar paradisíaco, Cidinha passeava, de celular desligado, com outra excursão, conhecendo o Balneário de Camburiú e a cidade “quase alemã” de Brusque, onde toda a turma que escolheu Santa Catarina ao invés de São Paulo fazia compras.
Em Ilha Comprida, o clima esquentava, sem aquela cervejinha na areia da praia, porque, afinal de contas, os retidos não conseguiram nem mesm o entrar no hotel. Os francanos, nervosos, discutiam com o responsável pelo hotel, ambos dentro da razão de cada um. Depois de até ameaças de facadas por parte dos responsáveis pelo hotel, viatura de polícia e água com açúcar foram necessários para controlar a situação. As quatro famílias tiveram que desembolsar, juntas, R$ 1.360 para complementar a segunda parcela referente ao pagamento do hotel e não perder a viagem. A solução, esperam, é processar a agência após retornarem a Franca, já em 2008.
sem sinal
A reportagem do Comércio tentou entrar em contato com Cidinha durante toda a tarde de ontem, sem sucesso. Foram feitas cinco ligações entre 16 horas e 21 horas para dois números de telefones celulares, além de outros cinco telefonemas para o hotel no qual Cidinha está hospedada em Camburiú. Os celulares estavam desligados e a recepcionista do hotel informou que Cidinha ainda não havia retornado das compras.
Na porta da agência de viagens, visitada duas vezes ontem pelo Comércio, uma folha de sulfite avisava: “Atenção, estamos em viagem. Cidinha”, e o número do telefone celular para contato, que estava desligado.
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