Pacientes que precisam agendar consultas médicas terão de ter uma boa dose de paciência até conseguirem horário ou então mudar de médico ou ainda recorrer às unidades de emergência dos hospitais. Muitos profissionais escolhem os meses de dezembro e janeiro para tirarem férias, especialmente para poderem acompanhar as férias escolares dos filhos e festas de fim de ano.
No Hospital Regional, a diretora administrativa Regina Lima disse que as folgas nesta época são comuns. Dos 130 conveniados à instituição, 17 estão ausentes, principalmente cirurgiões gerais, clínicos gerais, ortopedistas e otorrinolaringologistas. “Eles gostam de viajar e aproveitar as festas de Natal e do Ano-Novo, por isso tiram folga neste período”, disse Regina.
A prática é tão comum que o hospital aproveita sempre o mês de dezembro para suspender algumas cirurgias e reformar as salas de operação. “Neste ano, como tradicionalmente acontece, não agendamos cirurgias eletivas entre 22 de dezembro e 3 de janeiro e vamos aproveitar esses dias para pintar o setor de cirurgias”.
Os 17 médicos que estão em recesso não são plantonistas do hospital, mas a diretoria é obrigada a mudar a rotina no ambulatório até os profissionais voltarem ao trabalho. Com os consultórios fechados, cresce a procura pelo setor de pronto-atendimento. O local recebe 350 usuários por dia. “A demanda aumenta 10% no período de férias. Trabalhamos com três plantonistas e um em plantão à distância. Se for preciso, acionamos o quarto profissional”, disse a diretora.
O quadro de especialistas do Hospital Unimed também está reduzido. Dos 280 médicos, 35 gozam de suas férias. A vendedora Maria Aparecida Eduardo, 29, tem plano de saúde da cooperativa e depois de tentar agendar horários por dois dias seguidos com um médico ginecologista, ainda não conseguiu. “Meu marido ligou para vários consultórios, pelo menos cinco, de ginecologistas, porque estou com algumas dores e quero saber o que é, mas os telefones só chamaram. Devem estar todos de férias. Se não melhorar, vou ter de ir no plantão mesmo”, disse ela. O marido dela tentou desde quarta-feira agendar horário com os especialistas. Ligou para clínicas no dia 26 e anteontem em horários e consultórios diferentes, mas não obteve sucesso.
A reportagem também ligou no consultório de quatro otorrinolaringologistas; em dois deles, o telefone não foi atendido e os outros dois médicos estavam de férias. “O doutor Renato (Barufi - otorrinolaringologista) ficará de férias o mês que vem inteiro e só retornará em fevereiro”, disse a secretária Renata Patrícia.
No caso de cardiologistas, a situação não foi muito diferente. Dos quatro procurados pela reportagem, três não atenderam e o outro especialista não estava de férias, mas havia se ausentado nesta semana por conta do Natal e Ano-Novo.
A assessoria de imprensa do Complexo Santa Casa informou que o hospital não trabalha com programação de férias. “A Santa Casa funciona 365 dias, 24 horas seguidas e os médicos acompanham o ritmo e trabalham direto”, disse a assessora Jacinta Sad.
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