Foi com essa frase que o presidente da República Federativa do Brasil respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a greve de fome do bispo Dom Luiz Cappio.
Fugindo da celeuma da transposição do Rio São Francisco, gostaria de trazer à luz a figura do Estado que cede e acaba. Lula argumenta com veemência que “se o Estado cede, o Estado acaba”.
Tem razão. O Estado é soberano. Os homens de Estado devem defender a soberania e o bem comum. Portanto, tudo que for contrário a isso lesa o Estado.
Porém, o que me tira o sono é que nosso estadista não diz a mesma coisa quando terras amazônicas são griladas. Não diz isso quando o tráfico de drogas ocupa o território do Estado que ele dirige.
‘Se o Estado cede, o Estado acaba’. A frase minuciosamente pensada para o momento carrega consigo um ranço de autoritarismo repudiado por muitos, pelo menos na retórica. Se o Estado que cede acaba, então como fica o Estado brasileiro frente aos companheiros estadistas da Bolívia e da Venezuela?
Talvez o Estado não ceda, mas o povo cede. Cede quando paga impostos para ter segurança, saúde e educação e, para tê-los com a qualidade e eficiência que merece, se vê obrigado a comprá-los da iniciativa privada. Cede quando cria seus filhos com amor, carinho e os vê mortos por balas perdidas, assassinos impiedosos, homicidas em potencial, soltos pelas ruas de nossas cidades.
‘Se o Estado cede o Estado acaba’. É um fato, mas alguém tem de ceder.
Talvez o Estado não ceda, mas o povo cede. Cede quando agoniza nas filas em busca de atendimento médico e aposentadorias. Cede quando mora na favela, na palafita, embaixo da ponte, na sarjeta. Cede quando dorme no chão do aeroporto a espera do fim da crise aérea.
Concordo, “se o Estado cede, o Estado acaba”. Mas vamos e convenhamos: alguém tem de ceder. E o povo sempre cede. Cede sempre, sem pestanejar. Cede, às vezes, bovinamente.
Agora sendo verdade que o Estado que cede acaba, estamos acabados, pois o que é o Estado senão o povo na sua organização política e administrativa?
ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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