Jussara pode reduzir produção em 75% em Patrocínio


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Patrocínio Paulista está prestes a perder 75% da produção da empresa que mais emprega na cidade, a Usina de Laticínios Jussara. O motivo é o fim do crédito de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) aplicado na aquisição de leite vindo de outros Estados, o que representa 75% da matéria-prima da empresa. O fim do crédito entra em vigor a partir do dia 1º de janeiro e foi oficializado por meio de um decreto assinado pelo governador José Serra (PSDB) em 19 de novembro. Além da Jussara, os laticínios Nilza, com sede em Ribeirão Preto, também devem ser atingidos. Juntas, as duas empresas podem perder 700 funcionários. A Coonai (Cooperativa Nacional Agroindustrial), de Brodowski, não será afetada por trabalhar com leite pasteurizado (saquinho), que não tem incidência de ICMS. As empresas, unidas à ABLV (Associação Brasileira do Leite Longa Vida), estão pressionando o meio político para rever o decreto. O diretor comercial da Jussara e vice-presidente da ABLV, Laércio Barbosa, explica que a produção com o fim do crédito se torna inviável para a empresa em Patrocínio. “A proposta do governo, do jeito que está montada, representa um aumento de custo entre 7% e 10% nos nossos produtos. É um valor que inviabiliza a competição com o leite de fora do Estado. O leite mais barato que existe no mercado já o de fora de São Paulo”. Com o fim do crédito, a empresa acredita que perderá cerca de R$ 12 milhões por ano - R$ 1 milhão ao mês. Apesar da queda na produção, Laércio diz que não existe a intenção de sair definitivamente da cidade, onde a empresa emprega cerca de 400 pessoas. O motivo seria o investimento de R$ 20 milhões feitos este ano em Patrocínio na infra-estrutura e maquinário para aumentar a produção na unidade. “A gente não está falando em deixar (a cidade). Nós temos que diminuir a produção se o governo tirar o incentivo do leite. Nós fizemos um investimento muito grande aqui e não vamos sair em nenhum momento.” Laércio ressalta ainda que a compra do leite de Minas Gerais não é uma opção e sim uma necessidade. “Pelo porte que a Jussara está hoje, nós não temos leite suficiente no Estado de São Paulo para atender a nossa fábrica.” A empresa trabalha atualmente com 1,5 mil produtores de 90 municípios do norte de São Paulo e sul de Minas Gerais. Diariamente, são captados cerca de 500 mil litros de leite - 350 mil vindos de cidades mineiras. O que poderia ocorrer, de acordo com o diretor comercial, é semelhante à fuga das indústrias de calçados que deixaram Franca para se instalar no Nordeste. Parte do maquinário da unidade de Patrocínio poderia ser transferida para uma unidade que será construída em Minas, que terá capacitação para produzir 500 mil litros de leite. Esta unidade, salienta Laércio, já estava nos planos da empresa e será construída com ou sem os créditos fiscais. A cidade a ser instalada, no entanto, não teria sido escolhida ainda. A outra unidade da empresa, em Pedregulho, não corre o risco de perder parte de suas atividades por produzir queijo e, portanto, está fora do incentivo em questão. EMPREGOS Durante entrevista ao Comércio, Laércio evitou em falar sobre demissões, mas disse que a hipótese não está descartada. “Caso seja mantida a atual posição do governo é provável que tenhamos que reduzir a produção e isso fatalmente causará impacto no número de empregos que tem hoje.”

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