Se calcular os juros, prazos e vencimentos de cheque especial não é tarefa simples, a celeuma para se chegar a um número preciso da dívida de uma estrutura do tamanho da Prefeitura é enorme. A complexidade abre precedentes para que ex e atuais administradores joguem o “fardo” da dívida um para o outro.
Bom exemplo disso ocorre em Franca. O secretário de Finanças, Sebastião Ananias, diz que a dívida consolidada atual, R$ 94,7 milhões, não é o que a Prefeitura deve de fato. Falando pouco e sem revelar documentos, ele justifica a afirmação ao subtrair um fluxo de caixa positivo em R$ 35 milhões e considera como dívida, de fato, R$ 59 milhões.
Para analisar os débitos deixados pelo ex-prefeito Gilmar Dominici, Ananias emprega a mesma matemática, mas com resultados inversos. Aos R$ 92 milhões oficiais, inclui o fluxo de caixa (negativo) da época (2004) e dívidas não contabilizadas para chegar a uma dívida de R$ 146 milhões.
O método desagrada quem fica com os piores números. Para Gilmar Dominici, a estratégia pretende “maquiar” os números atuais e os anteriores. “Para ser da forma como eles dizem deve haver alguma mágica. Não tem outra explicação”, afirma Gilmar.
EXPLICAÇÃO
Os termos utilizados para a definição das dívidas da Prefeitura servem, na prática, para distinguir o que tem de ser pago a longo ou curto prazos. Consolidada, ou fundada, consiste basicamente em débitos registrados e reconhecidos. No caso de Franca, é formada por tributos como INSS, FGTS e Pasep, além de empresas como CPFL e Sabesp.
Já as dívidas contabilizadas têm prazos curtos para vencimento e são constituídas principalmente por débitos com fornecedores de merenda escolar, transporte de alunos e até pagamento de obras como construções de creches e escolas municipais.
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