Ao mesmo tempo que avança pela modernidade tecnológica, desenvolvimento proporcionado mais pelo arrojo do empresariado menos pela cabeça dos políticos, o Brasil ainda convive com o ranço proibitório. Sempre que alguma coisa incomoda, em vez de resolvê-la, não tarda em surgir algum iluminado, a propor, comodamente, o seu banimento. A proposta básica é proibir, muitas vezes sem levar em consideração a existência de outras possibilidades mais contemporâneas e casadas com o desenvolvimento de que tanto nos orgulhamos.
O projeto que o governo do Estado pretende mandar à Assembléia, proibindo o uso das garrafas Pet é algo que não precisaria existir. Se, de um lado, os neoterroristas ecológicos alertam para o risco de a população chafurdar numa formidável montanha de pets jogadas irresponsavelmente na natureza, há que se levar em consideração a sua facilidade de transporte e custo baixo em relação ao vasilhame de vidro. Quanto ao descarte irresponsável, que se façam campanhas, incentive a reciclagem e (aí sim) haja punição exemplar aos relapsos. Quem já foi à Bélgica é testemunha de que, embora aquele país consuma proporcionalmente três vezes mais Pets que o Brasil, as garrafas usadas não são encontradas jogadas pelas ruas, periferias ou rios. Questão de educação, exemplo e fiscalização!
Se proibir a Pet, São Paulo também precisará vedar o uso de pneus, de sofás e até de automóveis cujas carcaças velhas o povo costuma atirar dentro dos rios. Não poderá esquecer-se também de impedir a utilização de papéis, pois eles podem ir para dentro dos bueiros e provocar inundações. Acabaria, até, proibindo a presença do próprio homem em determinados lugares, pois sem ele não haveria degradação. Por causa do furto de dois quadros, o primeiro em mais de 50 anos, em vez de reforçar a segurança, estão pensando em proibir o acesso público ao vão do MASP, um dos poucos espaços onde ainda não se paga para freqüentar...
A cultura do “proíba-se” é comodista e retrógrada. Não atende à conveniência da comunidade e apresenta-se como prova da falta de criatividade, competência e vontade dos políticos e da própria sociedade, para encontrar a verdadeira solução aos problemas oriundos do desenvolvimento. Muitas vezes até serve a interesses subalternos. É preciso cuidado para a incompetência administrativa não travar o livre desenvolvimento do País e do povo. Sem os arroubos daquele tempo distante, há que se meditar e recorrer a uma das frases básicas da revolta juvenil de 68 (popularizada no Brasil pela música de Caetano Veloso): “É proibido proibir”... Há que se educar, consertar, reciclar, fiscalizar...
TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo (ASPOMIL)
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