Sim, passaram. Dias que não voltam, não se repetem. Oportunidade aproveitada ou desperdiçada, não importa mais... Enfim, aqui estamos, prestes ao apagar das luzes de mais um ano de nossas vidas. O momento é especial, a euforia toma conta da atmosfera - festas, presentes, banquetes, sonhos, promessas e esperança. O desejo pelo “novo” nos faz continuar acreditando que algo ainda pode mudar.
Semelhante a nômades, caminhamos por entre esses dias que restam entre o “velho e novo”, com pensamentos que muitas vezes se revezam, oscilando sensações repentinas de um vazio misterioso decepcionante; noutro instante, possuídos de esperança, cheios de coragem para realizar os sonhos, direito universal de todos aqueles que crêem em algo e jamais desistem.
É oferecida a nós com o advento do Ano Novo a oportunidade de começar de novo, independentemente se o resultado alcançado até aqui seja de vitória ou de derrota. Resta agora avaliar resultados, tentar identificar os erros e acertos, mudar ou manter estratégias, ter mais arrojo ou pegar mais leve com a vida, dedicar-se um pouco mais aos entes queridos, render-se à fé e praticá-la com fervor; sorrir, chorar, gritar, pular e, até mesmo, xingar... Temos que expressar nossos sentimentos e deixá-los aflorar pois apenas assim seremos verdadeiramente possuidores de nossas vidas, assumindo o que somos, dizendo a que viemos, acontecendo para o mundo, exalando vida.
Imaginemos que essa vida seja uma competição, como num jogo de basquete, com suas regras e seus “tempos”. No início da partida entendemos que o tempo é mais que suficiente para mudar o mundo à vista de qualquer prognóstico, favorável ou desfavorável. À medida que o tempo vai passando, duas sensações podem se apoderar dos competidores: ou a doce sensação de alívio pela possível vitória ou o amargo e amedrontador sabor do nervosismo que antecede a derrota.
Na maioria dos casos as vitórias e as derrotas estão bem próximas, separadas apenas por alguns pontinhos que ao final farão toda a diferença. Inegável é o fato de que o sucesso brinda os que se preparam melhor, mas, em se tratando de jogo, existe também o fator “sorte”, algo não manipulável nem monopolizável.
Ela (a sorte) é considerada “acidente benéfico itinerante”, desejável por todos. Chega e acontece, travestida de oportunidades sutis que devem ser agarradas com todas as forças.
Os dias passados de 2007, nos quais se pôde acumular um misto de experiências, alegrias e dissabores, ano protagonizado por “vitoriosos”, “derrotados”, dos “quase lá” etc. tornaram-se importante por ter sido mais um “tempo” de aprendizado, crescimento e transformação.
Vem aí o Ano Novo... Posicionem-se os competidores: preparem seus corpos, mentes e corações e se encham de “paixão” pela dádiva existencial. Não interessa mais quem foi “temporariamente” o perdedor. Junte os pedaços, erga a cabeça, retorne para a ‘quadra da vida’ e ocupe seu lugar. Feliz 2008!
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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