“26 de dezembro é o dia internacional da troca de presentes”. A frase da vendedora Rose Mary Ferreira define bem a movimentação nas lojas dos mais variados setores ontem. Um dia depois das festas de Natal, foi a hora de trocar a camiseta M pela G, o vestido azul pelo preto, o sapato apertado por um do tamanho certo ou o carrinho de controle com defeito por um que faça todas as manobras descritas na caixa. Os motivos para devolver mercadorias para a loja são variados e deixaram os estabelecimentos cheios nesta quarta-feira. Lojistas de Franca chegaram a registrar 80% de atendimentos para trocas de presentes.
No Magazine Luiza da Avenida Brasil, a vendedora Rose Mary disse que a maioria das substituições é feita no dia que sucede o Natal. “Os clientes trocam tudo dia 26. Cerca de 30% dos consumidores que recebemos hoje foi para trocar presentes”, disse. A loja exige que sejam apresentadas a mercadoria e nota fiscal. “Orientamos antes os clientes para guardarem a nota, mesmo se for presente. Exigimos sua apresentação para evitar que a pessoa compre o produto em outra loja e venha trocar aqui”, disse Rose.
No Torra Torra, no Calçadão do Centro, o movimento foi maior e tende a aumentar. De cada dez consumidores, quatro estiveram na loja ontem para efetuar trocas. “Está tranqüilo. Acredito que as devoluções serão mais volumosas no fim de semana, quando as pessoas estiverem de folga”, disse Gisele Migliorino, do departamento pessoal.
Apesar das substituições no comércio serem uma prática comum, os lojistas não são obrigados a trocar as mercadorias sempre. O Código de Defesa do Consumidor determina as devoluções apenas em casos de defeito e compras pela internet, em casa ou na rua. “Nestes três casos, o consumidor não teve intenção de comprar, ele não saiu de casa para ir a uma loja e nem sempre pôde ver o produto antes. Ele tem sete dias para se arrepender e trocar o que comprou”, explicou José Antônio Guimarães, coordenador do Procon (Órgão de Defesa do Consumidor) de Franca.
Para trocar com obrigatoriedade, o cliente teria de ter feito um acordo com a loja. “É preciso combinar as condições de troca e documentar por escrito na nota fiscal ou embalagem a data para troca”.
EXCEÇÃO ESTRATÉGICA
Para não perder fregueses, as lojas abrem exceções e aceitam devoluções. A NR Botti, loja masculina do Franca Shopping, é uma delas e os vendedores já sentiram movimentação maior desde ontem com as trocas. “Começou quente. Das 10 até agora (12 horas), já fizemos cinco substituições. Acredito que, à noite, faremos mais ainda, pois o fluxo de pessoas neste período é maior no shopping”, disse o gerente Caio Garcia.
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O representante comercial José Lopes, 46, esteve no centro de compras neste dia 26 para levar outro produto para casa. Ganhou uma camiseta de Natal de um parente, mas a roupa ficou larga. Ele aproveitou o movimento calmo de ontem pela manhã na Tribo dos Pés no Franca Shopping para escolher outra blusa. “Deu certo. Encontrei outra do meu tamanho”.
O metalúrgico Jefferson de Souza, 32, estava de folga do trabalho e aproveitou para buscar outro carrinho de controle remoto para o filho de 6 anos no Magazine Luiza. O brinquedo não funcionou. “O carrinho dá ré, anda para frente e vira, mas não estava virando. Só descobrimos o defeito no dia da ceia. Consegui trocar sem problemas”, disse ele, enquanto aguardava a substituição no Magazine da Avenida Brasil.
A medida de aceitar trocas também é estratégica. Com a volta dos compradores à loja, há chances de comprarem mais. “Muitos encontram outras mercadorias e acabam levando. Isso é bastante comum. Se trocam e o valor do novo produto é maior, entra como vendas. É bom”, disse Rose Mary Ferreira, vendedora do Magazine Luiza. .
SERVIÇOS
O telefone do Procon é (16) 3721-4757 e o endereço é Rua General Carneiro, 1557, 2º andar, no Centro.
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