O lote se divide em três casas. As duas laterais foram erguidas para abrigar os filhos que casaram, a do meio ficou para a mãe e para os solteiros. A cena, comum em todos os bairros da cidade, tem gerado polêmica na Rua Antônio Constantino, no Jardim Guanabara. O motivo não é a divisão territorial do espaço, mas, sim, a sujeira acumulada na porta da casa da matriarca. A explicação vem logo. Dona Marta (não quis fornecer seu sobrenome), de 48 anos, sobrevive e mantém seus dois filhos solteiros, um de 21 anos que está preso e outro de 25 que está desempregado, com a venda de materiais reciclados, que são recolhidos e depois “guardados” em frente a sua casa. Toda a calçada fica tomada por latas, papel e plásticos. A sujeira incomoda os vizinhos, que reclamam da constante presença de animais como ratos, lacraias e até mesmo escorpiões.
Um deles, que mora na rua há cerca de dez anos e que não quis se identificar com medo de represália, é um dos que sofrem com os efeitos dos entulhos acumulados por Marta. “É só observar o que virou essa calçada. Além do mau cheiro, há muitos bichos. É normal aparecerem escorpiões e moscas. Até mesmo uma lacraia já foi encontrada aqui nas casas”.
Outra vizinha que mora a quarenta metros da casa de Marta também reclama. “Já pedimos a ela que dê um jeito nesse lixo, falamos com a Prefeitura, mas nada foi feito. Com o período da chuva que começa agora, tenho medo que tudo piore”, disse sem querer se identificar.
Marta tem consciência do incômodo que causa, mas diz que não tem outra solução. “Eu sei que estou errada, só que, no momento, estou precisando. Eu não paguei uma aposentadoria para parar de trabalhar. O dia que eu conseguir me aposentar eu vou parar (de juntar entulho)”.
Há 24 anos na mesma casa, Marta diz que há 15 anos trabalha com a venda de materiais reciclados. “As reclamações só começaram depois que construí as casas dos meus filhos e tive que colocar as coisas na rua, mas isso é provisório”. Ela disse que, entre hoje e amanhã, retiraria o material do local.
Sobre a presença de insetos e outros animais, Marta disse que tem feito a limpeza na medida do possível. “Eu sempre estou mexendo. Nesses meses de chuva é que, às vezes, costuma ficar um pouco (com bichos), mas estou sempre cuidando, virando as latas. Até hoje não achei escorpião, essas coisas não. Agora se vizinho acha, eu não sei”.
A catadora já recebeu visita dos agentes sanitários da Prefeitura. “O homem da dengue já veio reclamar, mas sempre converso com ele, que é sempre bonzinho”.
Segundo informações dos vizinhos, Marta teria recebido a visita até mesmo de membros do Ministério Público, que a teriam procurado por causa dos problemas causados pelo lixo. O promotor do Meio Ambiente, Fernando Martins, no entanto, não foi localizado ontem para comentar o assunto.
O chefe da Vigilância Sanitária de Franca, Fernando Baldochi, foi procurado no final da tarde de ontem para se posicionar sobre o caso, mas não estava na Secretaria de Saúde e seu celular estava desligado.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.