Quem anda pelas regiões mais valorizadas de Franca pode até não ter se dado conta, mas um espectador mais atento certamente já notou a quantidade de novos prédios e condomínios despontando pela cidade. A impressão de que são muitos está absolutamente correta. O mercado imobiliário local nunca passou por um momento como o atual e a previsão de dezenas de outros projetos apenas reforça a tese de que ainda há muito o que se explorar.
São empreendimentos projetados tendo como principal público interessados que possam pagar entre R$ 50 e R$ 300 mil por uma unidade. Na Prefeitura, novas plantas dão entrada semanalmente, viabilizadas pelo dinheiro disponível nas mãos de investidores, pela estabilidade da economia e obtenção de crédito mais fácil.
Na CEF (Caixa Econômica Federal), principal órgão financiador do País, está o indicador de como o setor vem se comportando em 2007. De janeiro até agora, pelo menos R$ 20 milhões foram liberados apenas para projetos individuais, só em Franca. São, em sua maioria, casas de até R$ 60 mil. Sozinhas, representam o grosso dos financiamentos, mas já estão sendo seguidas por plantas que chegam a R$ 120 mil.
O que mais tem atraído novos compradores, principalmente trabalhadores com renda de até R$ 1,8 mil, são as condições que os programas de habitação oferecem e que não mudam substancialmente de uma instituição bancária para outra. O prazo máximo de pagamento, esticado até 240 meses, faz com que muita gente pense na hora entrar em um compromisso desse porte. Na ponta do lápis, em um prazo como esse, o valor pago pelo imóvel geralmente é menor do que o que seria gasto no mesmo período com o aluguel de um imóvel semelhante.
Há ainda a vontade que as pessoas têm de conseguir um espaço só seu. Confirmação disso está nas características dos compradores que procuram a CEF. “São quase todas pessoas jovens e que estão querendo comprar sua primeira casa ou apartamento”, disse o gerente da CEF em Franca, Agnaldo Peixoto Diniz.
O dinheiro para novas liberações, garante Diniz, está disponível em quantidade adequada à demanda da cidade. Seja com recursos da poupança ou do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), salienta ele, ninguém ficará sem crédito para construir ou comprar sua casa, desde que, claro, cumpra os requisitos mínimos exigidos.
A procura por financiamentos, avaliou o gerente, vem numa trajetória ascendente há pelo menos dez anos consecutivos, o que faz com que Franca seja, em termos proporcionais, a cidade que mais investe em habitação na região e uma das principais no interior do Estado de São Paulo.
Os dados obtidos junto à Prefeitura de Franca também confirmam o aquecimento do setor. Entre janeiro e novembro de 2007, mais de 2,2 mil projetos deram entrada na secretaria de Planejamento, responsável pelas autorizações de construção e fiscalização das obras. Desse montante, 1532 foram para casas, 285 para edifícios comerciais e 25 para edifícios residenciais com mais de três andares. Ainda existem outros 51 prédios em construção ou já construídos, destinados ao uso misto (residencial e comercial).
No mínimo cinco loteamentos para casas já foram aprovados pela administração municipal, que também, dentro do mesmo período, emitiu 1586 alvarás de “habite-se”, documento essencial para a ocupação do imóvel.
De três empresários do setor imobiliário de Franca, entrevistados pelo Comércio, dois foram mais cautelosos nas suas avaliações sobre o futuro do mercado na cidade. “São situações normais de uma cidade que tem 330 mil habitantes e precisa dar condição de moradia a essas pessoas”, disse Alexandre Agnello, da Imobiliária com o mesmo sobrenome.
Sua opinião é partilhada com o arquiteto Antônio Martins Ribeiro, da Habitat, que não vê no atual cenário a bolha de consumo que se imagina. “É uma necessidade que Franca experimenta, mas, longe de qualquer explosão de projetos e lançamentos”.
Luiz Carlos Teixeira, da imobiliária que leva seu nome, vai na opinião contrária. “Franca é, sim, a bola da vez, não tenho dúvida disso”, comentou. “É um círculo positivo para a cidade, que movimenta mão-de-obra, gera mais consumo, mais produtos, mais renda”.
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