Um dragão chamado Nordeste


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Nove entre dez calçadistas francanos apontam a ascensão da China como o grande problema a ser solucionado pelo setor nos próximos anos. Estão corretos. Uma outra situação, porém, recebe menos atenção dos industriais, mas é tão grave quanto, ao menos para os francanos. O crescimento do Nordeste. Enquanto a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) anuncia queda nas exportações brasileiras de calçados em 2007 de até 4%, alguns Estados – em especial o Nordeste – terão cenário bem mais animador. Vamos aos exemplos. O Rio Grande do Sul, maior exportador de calçados do Brasil com 39,45% do total enviado ao exterior, terá queda de 14,1% nos embarques (64,3 milhões de pares em 2007, contra 74,9 milhões de pares em 2006). Já Franca, segundo dados do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Franca), terá queda ao redor de 12% no volume de exportações. Já o Ceará, o vice-líder nas exportações em volume, terá crescimento de 16,5% (41,1 milhões de pares em 2006 para 47,9 milhões de pares em 2007) e 27,4% em recursos (de US$ 217,4 milhões para US$ 277 milhões). Já a Paraíba, que ocupa o terceiro lugar no ranking, cresceu 8,1% nos embarques (de 17 milhões de pares para 18,3 milhões) e 24,5% em faturamento (de US$ 38 milhões para US$ 47 milhões). As razões para o crescimento são simples – e preocupantes: mão-de-obra menos qualificada e mais barata e incentivos fiscais intensivos. Em alguns lugares do Nordeste, as fábricas recebem isenção de todos os impostos estaduais e municipais, além de receberem a área para a instalação com infra-estrutura completa. É um tipo de situação difícil de ser combatida. Esta coluna não tem, pois, respostas para o problema. Mas é preciso que os calçadistas locais estejam atentos ao problema e busquem solução. Pressionar o governo federal para que os incentivos fiscais sejam combatidos é um caminho. Existem centenas de outros. O que não se pode fazer é ignorar o fato. IMPORTAÇÃO Outro dado interessante divulgado na última semana pela Abicalçados diz respeito à importação de calçados. Terceiro maior exportador mundial, com cerca de 200 milhões de pares, o Brasil já importou, em 2007, quase 30 milhões de pares. Computados os números de novembro, significa que 56,6% de aumento. Em termos financeiros, a alta foi de 60,1% – este ano o Brasil pagou US$ 195,8 milhões pelos calçados estrangeiros, enquanto no ano passado, a cifra foi de US$ 122,3 milhões. CHINA Entre os importados, a China continua dando as cartas. Foram 22,3 milhões de pares, a um custo de US$ 139 milhões para os cofres brasileiros. O Vietnã aparece em seguida, com o embarque de 1,9 milhão de pares, com faturamento de US$ 28,3 milhões. TIO SAM Já quando o assunto é exportação, o maior comprador de calçados brasileiros ainda são os Estados Unidos: 27,9% do que o País manda para fora. Segundo a entidade, os EUA já compraram 85% do volume nacional exportado. No ano passado caiu para 36%. Os números são preocupantes e continuam sendo seguidos de perto pela Abicalçados. Em decorrência da valo-rização do real frente ao dólar, que levou os exportadores a aumentarem a sua tabela de preços, o mercado norte-americano encolheu em 14,1 milhões de pares as encomendas ao Brasil. Argentina Nos 11 meses de 2007, a Argentina, segunda maior compradora de calçados brasileiros, ampliou a importação. Foram 17,5 mi-lhões de pares contra 14,6 milhões em igual período do ano passado. PREVISÕES E as previsões de Pai Schiavoni mostraram-se corretas, pelo menos no quesito negociação de salários. Na última sexta-feira, o Sindicato dos Sapateiros enviou a primeira contraproposta na negociação com os patrões. Em passo de tartaruga, as negociações seguem. Até fevereiro, é possível que ambos - patrões e empregados - cheguem a um meio termo. Até lá, dá-lhe negociação. AMAZONAS Sinais não muito animadores chegam às ruas de Franca sobre a situação da Amazonas. Segundo alguns funcionários, a empresa começou a reestruturação demitindo, e isso deve continuar em 2008. Segundo um dos demitidos, havia problemas no depósito de FGTS da empresa. A coluna tentou checar a informação com a direção do grupo, mas não conseguiu. Fica o registro.

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