Montar um presépio é uma tradição que muitas famílias ainda preservam. Mas para a de Cláudio dos Santos, o presépio significa manter vivo objetivo do pai, Pedro dos Santos: evangelizar por meio dos bonecos.
O sapateiro francano Pedro montou seu primeiro presépio aos 13 anos, em uma caixa de sapato. Desde então, até sua morte em 1998, nunca mais parou. A cada ano ele acrescentava um boneco e outros detalhes à sua obra. O presépio, inteiro mecanizado, com 184 bonecos que se movem e medindo 12 m X 8 m, ficou exposto do dia 3 de dezembro ao dia 24 em um espaço cedido pela Chopperia Montecarlo, na Praça Barão.
A obra de Pedro já foi exposta em São Paulo, onde morou por alguns anos e foi metalúrgico, e em diversas cidades da região. Ao pressentir que teria pouco tempo de vida, Pedro, que morreu de câncer aos 68 anos, passou a missão de montar o presépio para o filho Cláudio, 47 anos.
Velmira, 79, viúva de Pedro, acompanhou todo o processo. É responsável pelas roupas e pintura de todos os bonecos feitos à mão e em madeira. “As crianças que visitam o presépio ficam muito alegres, já vi idosos se emocionarem aqui. Eu acredito que o presépio é capaz de evangelizar”, conta Velmira com orgulho.
Cláudio explica que cada um dos 184 bonecos tem um mecanismo independente atrelado a um motor. Desde o arcanjo Gabriel, que anuncia a chegada de Jesus Cristo a Maria, até camponeses carpindo. Para toda a engrenagem funcionar foram necessários dez dias de montagem.
O presépio é dividido em 13 partes: anunciação; nascimento de Jesus na gruta; o sacríficio dos primogênitos; a apresentação de Jesus a Semião; a fuga de José, Maria e Jesus para o Egito; Jesus e os Doutores; a Sagrada Família; Jesus e os Pescadores; Batismo de Jesus por João Batista; Bodas de Canaã e o milagre do vinho; sermão nas montanhas; Santa Ceia; Judas e o saco de moedas para trair Jesus; Monte das Oliveiras; a condenação por Pilates; caminhada ao calvário e ascensão.
Crianças brincando, camponeses trabalhando e até a revolta da natureza (raios e tremores) com a morte de Jesus também estão retratados no presépio. “Se meu pai estivesse vivo ele teria aumentado o número de bonecos. Antes de morrer ele falou que estava por minha conta. Agora não tenho condições, preciso me aposentar para conseguir me dedicar a aumentá-lo”, disse Cláudio que é encarregado de manutenção industrial.
Se depender do filho de Cláudio, Raul Henrique Campanari dos Santos, 13, a preservação da tradição do avô está garantida. Ele já ajuda seu pai a montar e cuidar do presépio. “Era o sonho do meu avô. Quando eu era criança eu o ajudava com os bonecos”.
Mas não depende apenas da família Santos. Cláudio conta que todo ano ele encontra dificuldades em achar um lugar para montar o presépio. “Ele é muito grande e é preciso um espaço seguro. Não tem como montar em um local aberto”. E o objeto símbolo do espírito natalino é sucesso de público. “Já passaram 10 mil pessoas em um só dia, por isso também precisamos de um local adequado”, explica.
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