Os valores são ‘imutáveis’


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VIDA NOVA - Durante entrevista na nova sede do Grupo Corrêa Neves de Comunicação, o consultor Carlos César Arcolino fala sobre o projeto de humanização, rendimento e produtividade que desenvolve nas empresas
VIDA NOVA - Durante entrevista na nova sede do Grupo Corrêa Neves de Comunicação, o consultor Carlos César Arcolino fala sobre o projeto de humanização, rendimento e produtividade que desenvolve nas empresas
<p>O consultor Carlos César Arcolino, 47, usou drogas dos 14 aos 24 anos de idade. Consumia maconha e cocaína. Envolveu-se com roubo e tráfico. É pai de Maria Gianna, 6, criança que nasceu, segundo a Igreja Católica, graças a um milagre da hoje Santa Gianna. Ele usa sua história pessoal e experiências como exemplo para as pessoas e leva testemunhos a todo o País. </p> <p><br />Neste ano, Cacá, como é mais conhecido, ministrou 74 palestras sobre o tema. Passou por empresas como Fiesp, Açúcar Guarani, Sesi, Ultragás, Carmen Steffens, Beta Informática e outros locais Brasil afora. Esteve em capitais, como Londrina, Goiânia, João Pessoa e outras. Com seus testemunhos chegou a palestrar para 18 mil pessoas reunidas. </p> <p><br />Carlos César não conta sua história apenas nas palestras e treinamentos. Deve lançar em julho de 2008 o seu segundo livro, Humanização Para Ter Rendimento e Produtividade, em que relata as experiências vividas nas empresas e grupos onde palestra sobre o tema. </p> <p><br /> Para ele, os problemas que as pessoas enfrentam são oportunidade de crescimento. Confira os principais trechos da entrevista que concedeu na nova sede do Grupo Corrêa Neves de Comunicação nesta semana. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Como foi o período em que o senhor usou drogas?<br />Carlos César Arcolino -</strong> Os fatores que me levaram foram a carência afetiva, a perda dos meus pais cedo (a mãe morreu quando estava com 4 anos e o pai, quando tinha 8), auto-estima baixa, complexo de inferioridade e falta de personalidade porque eu não sabia falar não. Existe uma somatória de fatores que leva a pessoa a usar drogas. Eu lhe apontei alguns. Todo mundo usa para preencher um vazio. Comecei com 14 e fui até 24 anos, quando fui parar na cadeia. </p> <p><strong>Comércio - Qual foi o episódio que mais marcou esta fase de dependência?<br />Carlos -</strong> Foi quando eu fiquei preso por uma semana. Foi o tempo necessário para eu despertar. Essa foi uma das idas minhas para a cadeia. Estive lá outras vezes por roubo, por tráfico, ficava e voltava... Mas nessa vez, fiquei sozinho, isolado, e eu pude refletir quem era verdadeiro amigo e que eu era fruto das minhas escolhas, e eu escolhi errado por 24 anos. De repente, comecei a fazer escolhas corretas. Em janeiro, vai fazer 25 anos de escolhas corretas. </p> <p><strong>Comércio - O senhor procurou tratamento?<br />Carlos -</strong> Não. Não procurei porque não existia na época. Eu refiz minha história trabalhando de graça numa oficina mecânica por nove meses. Eu precisava dar uma oportunidade para mim. Depois do despertar espiritual, refiz minha vida. Consegui. Hoje tenho o grupo Amor Exigente (grupo de apoio para pais) que eu coordeno, programa na Nova TV e uma série de atividades, fruto da escolha correta. </p> <p><strong>Comércio - O senhor ajudou a fundar o Narev, casa de recuperação para dependentes químicos. Como está esse trabalho?<br />Carlos</strong> - Fui o fundador do Narev. Fiquei na entidade por oito anos e faz oito que parei para cuidar de outros trabalhos. Montei mais dez além do Narev. Temos entidades em Presidente Prudente, Patrocínio Paulista, Ribeirão Preto e outras comunidades. </p> <p><strong>Comércio - O que é o Amor Exigente?<br />Carlos</strong> - Foi fundado por um casal dos EUA, pais de dois adolescentes dependentes químicos. Eles eram psicólogos, mas não sabiam como agir e montaram um grupo de pais que tinham o mesmo problema para um dar apoio ao outro. Assim nasceu a metodologia, de acolher quem tem problema em casa. No Brasil, mudamos a metodologia e trabalhamos com grupos de apoio para os pais na prevenção de comportamento. Levei esse projeto para a escola para trabalhar não a droga, mas o comportamento inadequado, ou seja, a falta de limite, de respeito, a disciplina. É a prevenção primária. Só existe um dependente químico numa casa porque os pais são agentes facilitadores disso. Não são culpados, mas responsáveis pela facilitação. A família tem de ter regras, limites, horários... </p> <p><strong>Comércio - O senhor tem quatro filhos. Se um deles se envolvesse com drogas, como agiria?<br />Carlos -</strong> Primeiramente, iria sentar e ter diálogo para entender os motivos que o levaram a usar drogas, pois pode ter uma série de motivos, por curiosidade ou influência do meio. Depois, preciso saber em que fase está o uso, se na fase experimental, habitual que é o uso esporádico, vício ou abuso. Depois tenho de transferir para ele as responsabilidades do que quer fazer da vida, das escolhas dele. Vou mostrar que estamos dispostos a ajudá-los, mas ele não tem o direito de adoecer cinco, a família toda.</p> <p><strong>Comércio - O senhor ainda tem vontade de usar drogas?<br />Carlos</strong> - Costumam dizer que uma vez dependente, sempre dependente, mas acredito que existia um vazio e ele foi preenchido com valores, experiências de fé e com Deus. Se me apresentarem cocaína aqui, será como me mostrar uma cadeira. Perdeu o valor que existe em função do uso. </p> <p><strong>Comércio - Como é o processo de humanização associado ao rendimento e produtividade?<br />Carlos -</strong> Hoje, as empresas procuram pessoas mais equilibradas e que valorizem a empresa não só em função do que elas recebem. Não querem mais o funcionário que chega, marca cartão, trabalha e acabou. As empresas buscam inteligência lógica e emocional associada a um aparato espiritual longe de religião, o que é possível. O projeto prevê uma mudança comportamental. Trabalhamos com doze sessões, seguindo uma apostila que eu montei. Nas primeiras seis sessões, o participante busca trabalhar ele, a família, os filhos e depois transferimos as mudanças para a empresa. A pessoa escolhe metas possíveis e ajusta a casa interior, depois mudamos para a empresa. </p> <p><strong>Comércio - O que as pessoas costumam estabelecer como metas nessa primeira etapa?<br />Carlos</strong> - Cuidar de si próprio e zelar pela famílias. As pessoas escolhem como metas caminhar, ler um livro, passear com os filhos no domingo, ir ao shopping com a mulher. Quando você verbaliza a meta perante o grupo, o compromisso é maior, pois tem a cobrança interna e do grupo. O projeto prevê uma mudança comportamental, mas tem que ter jeito e prudência para não exigir algo que a pessoa não tem condições de cumprir, se não o projeto acaba. O treinamento é focado na superação dos próprios limites, no fortalecimento do vínculo familiar, na mudança de comportamento e no maior rendimento na empresa. </p> <p><strong>Comércio - Como alimentar o espírito sem a religião?<br />Carlos -</strong> Muita gente fala de Deus, mas poucos falam com Deus. Somos como um celular, que acaba a bateria e você recarrega na tomada. Cada um tem de ter o seu carregador que pode ser na igreja evangélica, católica ou outra. Mas a pessoa tem de entender que ele tem de fazer a parte dele, tem de mudar o comportamento. Essa espiritualidade é acordar e agradecer a Deus por você ter o sol, a água... </p> <p><strong>Comércio - Quem é ateu alimentaria essa espiritualidade? Como?<br />Carlos</strong> - Vamos trocar a pergunta. Quais os valores dele? Muitos acreditam que não precisam ir a lugar algum para recarregar a bateria. Acredito que não existe ateu. Vamos pegar um avião e levar para cima e desligar as turbinas, o que você vai mais escutar é “Ai meu Deus”. Pode ter certeza que preencher o vazio das pessoas só é possível com Deus. Cada vez que você tem um problema, é, na verdade, uma oportunidade de crescimento que Deus está lhe dando. Cada vez que você supera, você fica forte. </p> <p><strong>Comércio - O senhor fala bastante do resgate de valores. Por quê?<br />Carlos -</strong> Com o mundo globalizado e a busca do ter e do prazer, a pessoa quer ter e esquece dos valores. Mas os valores são imutáveis; honestidade, integridade não mudam. A pessoa acaba anestesiando seus valores em função do ter, do prazer, do poder. Comércio - Como é ter sua história como exemplo para outras pessoas?</p> <p><br />Carlos - É motivo de orgulho. </p>

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