Foram 24 anos de alegrias, títulos, experiências e de uma relação de amor com a torcida. A carreira de Fausto Giannecchini, 56, ex-jogador do Franca Basquete e por 12 anos também da seleção brasileira, é um orgulho para os fãs do basquetebol da cidade. E a relação de Fausto com o esporte começou cedo, quando ele chegou à cidade aos 15 anos, vindo de Olímpia, e pulava o muro do Poliesportivo para praticar arremessos.
E praticava muitos. Centenas deles todos os dias. Na época (anos 60), a indústria calçadista já era a grande fonte de empregos da cidade e, para vencer em outras áreas, era necessário muito esforço para se destacar. “Eu chegava antes dos outros garotos e ia embora bem depois deles. Com isso, fui aprimorando meu arremesso e deu tudo certo”, disse Fausto.
Os pais de Fausto gostavam de basquete e, mesmo não sendo uma família de muitas posses, apoiavam os filhos a praticá-lo. Tanto que, além dele, os irmãos Anjinho e Reynaldo Patão também seguiram a carreira da bola ao cesto. “A família sempre foi apaixonada pelo esporte. Tanto que éramos três irmãos jogando basquete. E agora tem seqüência com meu filho Ricardo”, disse.
A decolagem da carreira de Fausto foi entre as décadas de 70 e 80, quando o cestinha integrou uma geração de craques como Fransérgio, Gilson, Adilson, Zé Geraldo, Totô, Hélio Rubens e Robertão. O time ganhava tudo que disputava e desbancava as até então imbatíveis equipes de São Paulo. Fausto disputava com Hélio - saudavelmente - o status de ídolo dos torcedores. “Não havia vaidades pessoais. Formávamos uma grande equipe e por isso os resultados aconteciam”, disse.
O basquete deu a Fausto oportunidades impensáveis para sua realidade antes do esporte. Além de ganhar fama e dinheiro, o então atleta pôde conhecer praticamente o mundo todo em torneios e competições com o time francano. “Dia desses, na apresentação de um evento internacional, eu via a bandeira dos países na televisão e pensava: nesse eu já fui, nesse também. Conheci quatro continentes jogando basquete”.
O OUTRO LADO
Seria muito superficial analisar a história de Fausto somente como jogador. A superação que ele prega nas palestras que atualmente ministra foi fundamental em sua própria vida após o encerramento de sua carreira, em 1992, aos 40 anos. Formado em Educação Física pela Unifran (Uiversidade de Franca), optou por enveredar para uma área na qual ainda não tinha vivência. E mais uma vez se deu bem. “Fui trabalhar como diretor de marketing e vendas na fábrica de calçados de meu sogro. Era uma vida nova, uma nova etapa. Mas o basquete ainda estava comigo: sem perceber, eu buscava resultados na fábrica em cima de coisas que aprendi no esporte, como espírito de grupo e trabalho em equipe”, afirmou.
Anos depois, o inquieto Fausto decidiu, de novo, tomar novos rumos. Para isso, juntou as experiências que teve como jogador e executivo para descobrir um novo talento. Tornou-se palestrante e dá cursos e clínicas de basquete. Em suas explanações busca passar a empresários e funcionários de empresas a importância da superação e da motivação no dia-a-dia de trabalho. “No esporte tem muito disso. A gente saber tirar o melhor de cada um em prol do bem comum, que são as vitórias. Decidi levar essa filosofia para as empresas e o resultado tem sido muito bom”, disse Fausto.
Casado com Roberta e pai de Ricardo, que joga no Saldanha da Gama (ES), e Eduarda (fonoaudióloga), Fausto disse que, por enquanto, aposentadoria é assunto fora de questão. “Adoro ficar com a família, mas tenho que trabalhar”, disse, para em seguida brincar. “Do que não abro mão também é bater um basquetinho com os amigos e vou te falar uma coisa: minha mão ainda está bem calibrada”.
Ah, só pra constar, Fausto é tio de Reynaldo Giannecchini, ator global. Afirma que há tempos não tem contato com o sobrinho, sempre muito ocupado. “Ele mora no Rio e em São Paulo e ficamos sabendo dele mais por meu irmão (Reynaldo Patão, pai do ator) e minha cunhada. Ele nem pode ir mais para Birigüi, sua cidade natal, senão causa um reboliço enorme por lá”, brincou.
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