Olhar em torno do próprio corpo


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Veja o rosto da garotinha Jaqueline, retratado na capa do Comércio em 18 de dezembro (procure no link http://www.comerciodafranca.com. br/capas.php?n=20089) e o compare com outra foto dela, na capa do jornal de 20 de dezembro (link http://www.comerciodafranca.com.br/capas. php?n=20090). Entre as duas fotos, bolachas e a felicidade que a ausência de fome proporciona. O jornal contou o drama da família de Jaqueline na terça, 18. No texto, a descrição sucinta da penúria: “Os pais são migrantes, não têm estudos e, para sobreviver, fazem bicos, quando aparecem, em que ganham no máximo R$ 30 por dia. Na casebre em que vivem por R$ 180 de aluguel, falta de tudo, de móveis a comida, inclusive leite. Um dos pedidos mais constantes das crianças é por ‘bolachas’ e biscoitos. Com lágrimas nos olhos, a mãe pede por socorro” (leia a íntegra em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php? id=24741). Na quarta, centenas de contribuições tornaram repleta a geladeira da família. Jaqueline e seus irmãos “mergulharam” nas guloseimas com as quais sonhavam. Vamos ao fundo da questão. Há quem aprove e há quem não aprove as matérias de cunho social que o Comércio publica. Alguns dizem que o jornal – e a Rádio Difusora, que dá voz aos personagens retratados nas matérias – erram ao investir todo o poder de que dispõem em casos individuais. Sugerem que a hegemonia dos veículos sirva para ações comunitárias, que beneficiem mais famílias e pessoas com problemas, do que poucas, ou poucos. Outros se emocionam. Saem do conforto que construíram em torno de si e entendem que o “aval” do Comércio e da Difusora basta: se o caso foi publicado, é sério e merece ajuda. E ajudam. Uns e outros estão certos, ainda que por vieses diferentes. O que os meios de comunicação do Grupo Corrêa Neves pretendem é motivar leitores e ouvintes a refletirem sobre o que acontece em volta de suas próprias pessoas. Na maioria das vezes, os problemas sociais acontecem na casa do lado e, por puro comodismo, preferimos não saber de nada. Ao focar suas reportagens em temas sociais o Comércio e a Difusora não pretendem ampliar ainda mais a hegemonia de que já desfrutam. E, sim, dizer com todas as letras à esmagadora maioria da audiência regional que acompanha suas atuações que casos como o da família de Jaqueline batem todos os dias à porta e nós insistimos em não ver. Não dá para publicar ou levar ao ar, todos os dias, as dezenas de problemas similares que brotam ao conhecimento de nossos jornalistas e radialistas. Mas eles existem. Se acontecer a interpretação correta sobre a intenção dos meios de comunicação do Grupo Corrêa Neves, centenas de milhares de Papais Noéis haverão de tornar menos sofrida a busca pela reintegração social de famílias necessitadas. Percebam nos olhos da garotinha Jaqueline, nas fotos que recomendei sejam olhadas, o que causa a solidariedade. PS – Não me venham com discursos sobre “ensinar a pescar ao invés de dar o peixe”. Recuso-me a acreditar que a maioria das pessoas que passam por problemas seja preguiçosa, indolente, bandida. E, de mais a mais, algumas experiências que retrato, nas notas que se seguem, significam caminhos que não apóiam quem não esteja realmente disposto a dar a volta por cima. GRUPOS ANÔNIMOS 1 Há um grupo em Franca que analisa casos de desempregados e paga contas de água e luz por eles, enquanto não se reempregam. Tiram segundas-vias das contas pela Internet, quitam, jogam debaixo da porta da casa com um bilhete: “Estamos com você no esforço por voltar ao trabalho. Não perca a esperança”. GRUPOS ANÔNIMOS 2 Há um grupo chamado “Sede de fazer o bem”. Durante o ano, seus integrantes doam recursos, cada um segundo suas possibilidades, para a compra de cobertores e brinquedos. E, em duas ocasiões do ano, entregam a famílias carentes espalhadas pela cidade. GRUPOS ANÔNIMOS 3 Durante a semana, lá estão eles, à frente de seus negócios. Em um determinado dia, literalmente, desaparecem. Se forem encontrados, não serão reconhecidos com facilidade. Ao invés das vestes com as quais enfrentam seus dias profissionais, aventais. Ao invés de perfume, cheiro de cebolas e batatas. A sopa semanal dos “empresários anônimos” pode chegar de repente a uma creche, à casa de uma família carente de um bairro distante (que logo se torna centro de distribuição para outros carentes) e fazer diferença. GRUPOS ANÔNIMOS 4 O Centro de Valorização da Vida (CVV), que desde 1980 tem ouvido pessoas com problemas, grita por socorro. Parece que não há mais gente disposta a perder tempo em doar tempo a quem precisa. O número de plantonistas está caindo. O posto pode deixar de integrar a entidade que “briga” no mundo inteiro pela preservação da vida. Esta causa me é muito cara. Está nela a oportunidade que você busca para ajudar o próximo. Sem subterfúgios, ligue ao 141 e deixe lá seu nome para a primeiro seleção que acontecer. SONHO Maria disse a seu marido José que havia sonhado um sonho ruim. “Sonhei que preparei uma festa de aniversário para nosso filho, contratei tudo do bom e do melhor, comidas deliciosas, grupos de animação, música. Todos os que convidei apareceram. Entraram, comeram, beberam, se divertiram e ninguém se lembrou de dar um abraço ou uma única palavra de carinho a nosso filho, que aniversariava! Acordei frustrada. Ainda bem que foi só um sonho!”

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