Completar cem anos é raro para um clube de futebol. Por isso, alguns deles imortalizam a data com festas gigantescas, recheadas de significado e engrandecidas por passagens áureas de sua história. Na Francana, o centenário – a ser completado em 12 de outubro de 2012 – pode significar a extinção total. Justamente quando um primeiro passo foi dado no sentido de preservar a identidade da agremiação. Mais que um clube associativo, a Veterana é uma entidade que deve participar de competições oficiais. Sem elas, não há razão para existir. Aí está a importância de participar de torneios da FPF (Federação Paulista de Futebol), mesmo que inexpressivos como a Copa Estado 2, e ter atividade durante toda a temporada como aconteceu em 2007. A análise da qualidade da competição é secundária e pode ser mero início de um trabalho cuja meta é atingir campeonatos maiores. Só o tempo mostrará se existe competência dentro do clube para tal.
A surpresa veio em forma de noticiário na edição de ontem do Comércio, publicada com exclusividade. A venda da área total da Francana pode ser a pá de cal em uma história que beira os cem anos. Ou o moribundo será ressuscitado ou se tornará um cadáver antes mesmo do centenário. Um clube sem patrimônio, resultado do trabalho de muitos francanos ilustres, outros desconhecidos, mas todos amantes do futebol, é igual à falência existencial. A referência da Veterana é sua sede. Comercializada, restarão as dívidas e o dinheiro decorrente da venda. O segundo, de acordo com a atual diretoria pode dirimir o primeiro. Mas ATENÇÃO! É preciso transparência, visibilidade e até mesmo caráter. Dinheiro some e a Francana, sem seu patrimônio, se tornará um fantasma, assunto para historiadores.
O que há alguns anos era impensável, parece ser a única saída. A venda do patrimônio já foi um tabu na cidade. Advogados ardilosos em amealhar parte deste patrimônio, ex-jogadores, ex-dirigentes e empresários ávidos a também conseguir seu quinhão provam que o caminho deve ser este. Mesmo porque não haverá outro se continuarem a arrematar judicialmente partes dos terrenos do clube a preço de banana. Até a igreja se envolveu na questão.
Puro negócio. Todos os lados têm quem os defenda. Só a Francana, uma figura meramente ilustrativa há décadas, está alijada e sem voz neste processo.
Aparentemente, a decisão da diretoria esmeraldina e de seu conselho deliberativo é correta. Resta saber se agirão com a correção necessária. Todos poderão entrar para a história como aqueles que venderam o patrimônio alviverde – mais de 22 mil metros quadrados em área nobre da cidade – e transferirão o clube para outro local, dando um sopro de vida a um doente terminal ou como o grupo que sepultou cem anos de história em meio a erros administrativos, dívidas e interesses escusos. Estamos de olho!
SÉRGIO MARQUES é editor de Esportes do Comércio da Franca
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