T em gente comentando que dona Marisa está preocupada. Afinal de contas tudo que seu amado Lula gosta está caindo: o Renan, a CPMF, o Corínthians e até o ministro Tarso Genro. Se continuar assim até o Reveillon, o que mais pode obedecer à lei da gravidade?
Piadas à parte, o fato é que o governo vai ter de se virar sem os R$ 40 bilhões da CPMF. Isso me fez lembrar da parábola da vaca na qual o mestre e seu discípulo são recebidos por uma mísera família de camponeses que tem somente uma magra vaquinha para dela tirarem seu sustento.
Ao deixar o lugar o mestre pede a seu discípulo que volte e jogue a vaquinha no precipício. Inconformado com a ordem do mestre, mas obediente, o discípulo cumpre a ordem. Durante anos o discípulo carrega consigo um remorso imenso. Decide abandonar o mestre e procurar a família pobre para reparar o mal que lhe fizera.
Após percorrer o longo caminho até o sítio o discípulo encontra uma propriedade completamente remodelada, com uma casa imensa, carros na garagem, piscina e várias outras benfeitorias.
Sem entender o que estava acontecendo o discípulo pergunta pela pobre família que lá morava e para sua surpresa descobre que estão ali diante dele. Atordoado, questiona como aquilo era possível. Ouve então que depois que a vaquinha caiu no precipício a família teve de buscar nova formas para sobreviver e então conquistaram tudo aquilo.
A parábola da vaca é uma grande lição para o governo e seus homens de Estado. Acomodados há anos com a “vaquinha” da CPMF, não se preocuparam em cortar gastos, muito menos em planejar melhor a aplicação dos recursos, muito pelo contrário, sucatearam cada vez mais o sistema público de saúde, tornando-o um exemplo de incompetência, desvio de dinheiro público, superfaturamento e tantas outras mazelas.
Agora sem a tal “vaquinha”, o governo deveria aproveitar a oportunidade para colocar a casa em ordem, reestruturar modelos falidos de gestão do dinheiro público, avançar nas reformas tão necessárias e urgentes. Dificilmente fará isso. Deve mesmo é criar uma nova “vaquinha”.
Para piorar as coisas Lula disse que deputados e senadores que votaram contra a CPMF não usam o SUS. Ledo engano. O senhor ‘metamorfose ambulante’ esquece que homens públicos usam sim os serviços do SUS, só que usam o filé Mignon. Isso mesmo.
Deputados e senadores não ralam durante horas na fila de uma Unidade Básica de Saúde a espera de uma consulta de três minutos e quarenta segundos, mas sempre que precisam são atendidos pelos mais modernos e sofisticados hospitais do SUS. Assim, a “vaquinha” oferece aos nobres o filé e à plebe os ossos.
ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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