Um menininho vai nascer


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Mexer e remexer o passado, os papéis, a legislação, assim como passear pelos campos áridos onde os Direitos Humanos não florescem, tem sido a coisa mais lúdica que a licença jornalística tem permitido a esta ativista social do ‘jornal que todo mundo lê’, o Comércio da Franca. Nesse mexe remexe surpreendentemente encontro no emaranhado, um decreto, que ao contrário dos demais não representou uma afronta à ética e a cidadania, posto que forjado na conveniência da humanidade: a comemoração do Natal. O dia 25 de dezembro havia sido proclamado pelo Imperador Aureliano em 274, como o Dia do Sol Inconquistável, Natalis Solis Invict. Uma festa pagã em homenagem ao deus sol, que envolvia grandes jantares, troca de presentes, árvores verdes decoradas com luzes e velas nos átrios para espantar os maus espíritos, além de orgias e bacanais. A conversão ao cristianismo fez com que essa festa adquirisse uma outra formatação, adaptando esse costume a nova fé. Em 350, 76 anos depois, o Imperador Julius I não encontrando referências bíblicas a respeito do nascimento de Jesus, decretou o dia 25 como o de seu nascimento, substituindo definitivamente as festividades pagãs, a veneração ao sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo, o Sol do Sol à Luz que não se Apaga. Esta manifestação católica se sobrepôs às demais espalhando-se primeiro pela Europa depois pelo mundo todo. Acontece que nem sempre esta foi uma festa de família, de alegria e de paz. No século XVII virou bagunça. Na Inglaterra costumavam eleger um desocupado como ‘Lord da Baderna’ e sob suas ordens os pobres iam às casas dos ricos para exigir a melhor comida e a melhor bebida. Quem se recusasse a fornecer era ameaçado e tinha sua casa atacada violentamente. Um enorme pavor passou a tomar conta do povo inglês que suspendeu a festa por vários anos. Na América o Natal só começou a ser comemorado no século 19, época do desemprego e luta de classes prevalecendo o modelo violento de comemoração da Inglaterra. A primeira força policial na cidade de Nova York surgiu em 1928, com o objetivo específico de combater conflitos e brigas de gangues que atingiram seu auge nas festas natalinas. ‘Lord Baderna’ não mais mobiliza pobres; porém, atualmente encontra-se a serviço do novo poder mundial, totalmente inserido na alta tecnologia da informação, usa de ferramentas de marketing e monta propaganda enganosa. ‘Compre e Seja Feliz Para Sempre’. O consumismo, quando esquizofrênico, pode atropelar o espírito de partilha que o Natal propõe. ‘Compre em dobro, distribua e seja feliz para sempre! Seria o slogan do próximo Natal. Com certeza o comércio ficaria muito grato à solidariedade. A noite é feliz. Feliz Natal porque nos traz um menino, um menino nos foi dado para um renascer, um recomeçar de uma nova vida em Cristo Jesus! Por isso, nem tudo pode se acabar na terça feira. CRIANÇA SÁBIA A compaixão exige muito mais do que lágrimas. Essas, o mundo está dispensando. Ela exige o estar com o outro de coração aberto para que ele possa entrar. Exige disponibilidade para oferecer algo de nós mesmos para que a questão se resolva... Mais do que dinheiro, bens materiais ou presentes, exige uma atitude, uma ação. Julgam, avaliam, até se posicionam na emoção... mas, de braços cruzados. O menino nos é dado mais uma vez neste Natal. Todos gostamos de carregar bebezinhos ao colo. Para pegar esse não é diferente; é preciso descruzar os braços, senão ele fica na manjedoura... até o próximo Natal! Criança sábia, me pegou no pulo! COMPAIXÃO Pessoas tem dado a vida na Amazônia, especificamente no Pará em defesa dos Direitos Humanos por conta da prisão da menina violentada na cadeia. Recebemos recentemente carta de uma irmã em Cristo, em missão nessa terra. ‘Precisou de uma criança passar por tudo isso para vir à tona uma série de violações de Direitos Humanos, principalmente contra mulheres, adultas, jovens e adolescentes. Nos cárceres muitas têm medo de falar a verdade... tantas coisas absurdas acontecendo, total desrespeito à pessoa humana... Rezem. Peçam por favor aos párocos, aos fiéis, a todo povo de Deus que intensifiquem as orações... Os culpados são muitos: polícia civil e militar, juízes, defensores. Tantos que deveriam defender a vida estão fazendo o contrário. Estamos todos na mira dos algozes....’ PRESENTE DE NATAL Pandora, deusa da mitologia grega, foi o Papai Noel às avessas da humanidade. Trouxe do Olimpo a mando de Zeus, uma caixa cheia de malefícios para a humanidade, a Caixa de Pandora. Doenças, pestes, terremotos, pragas, tudo isso a serviço do mal para uma humanidade que nada disso conhecia. Mas conseguiu preservar o único benefício que jamais poderia lhe escapar: a Esperança. E na Esperança, apiedou-se da humanidade e proferiu esse oráculo: ‘A Esperança traz laços de benefício e comunhão, justiça e misericórdia, coragem, força e persistência, amabilidade para todos os seres e muitas sementes de Paz!”.

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