Os consumidores que gostam de feijão tropeiro, feijão com farinha, caldo de feijão ou tutu terão de desembolsar mais dinheiro para satisfazer suas vontades. O produto, um dos mais tradicionais na mesa dos brasileiros, registrou aumentos exorbitantes. Há dois meses, pagava-se em média R$ 6,20 pelo pacote de dois quilos do feijão carioquinha; hoje, a mesma quantidade custa cerca de R$ 12, quase o dobro. O valor seria suficiente para comprar dois quilos de carne de segunda, que custa cerca de R$ 5,50, ou um quilo de contrafilé, que é um tipo de carne mais macia encontrada por R$ 12,30, em média.
O tipo carioquinha, o mais vendido, foi o que mais aumentou, mas o tipo bolinha também está mais caro. No Supermercado Peg-Lev, por exemplo, era vendido a R$ 3,90 o quilo e hoje custa R$ 6,20, 58% mais. O preto não sofreu alterações.
A massoterapeuta Kelly Cristina Santos, 22, se assustou com o preço do alimento e não levou pacotes de feijão para casa na compra que fez no domingo passado. “Está um absurdo. O ruim é para meu marido que adora feijão”, disse.
Os comerciantes também reclamam da alta dos preços e tentam justificá-la. Eles associam os reajustes à seca, escassez da mercadoria no País e aumento dos preços no atacado. O gerente de uma das unidades do Supermercado Lopes, Vicente Costa, disse que comprava o fardo com 15 pacotes de dois quilos cada por R$ 70, hoje desembolsa R$ 150 pela mesma quantidade. Os novos valores foram repassados para os clientes. “Vendíamos por R$ 5,60 e hoje cobramos R$ 11,20 pelo mesmo produto. Com a falta de chuvas a produção ficou prejudicada”, disse.
Élcio Gomes, proprietário do Supermercado Gomes, registrou queda nas vendas. Ele disse que, com a falta de incentivo, poucos produtores plantaram o produto e a falta de chuvas prejudicou a produção dos que cultivaram feijão neste ano. “Por isso está faltando o produto no mercado. A oferta está baixa e o preço lá em cima. Para se ter idéia, em junho vendia o pacote a R$ 4,98, hoje cobro R$ 11,50”. Élcio comercializava em média nove mil pacotes por mês, hoje os números caíram para seis mil.
O dono do Peg-Lev está com nova tabela e deve reajustar mais os preços. “Recebi a notícia ontem (quinta-feira) de que o feijão teve novo reajuste. Estamos com o preço velho. Mas somos obrigados a mudar os preços no mercado para não ter prejuízos”.
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