Em relação a emprego e rendimento, 2007 foi um ano bastante favorável. Dados do IBGE indicam um aumento de 3,5% no número de pessoas ocupadas em novembro - o maior desde março de 2005. Mais: significou uma acelaração também no crescimento, já que em setembro o crescimento foi de 2,7%, em outubro de 3,1%.
Em relação ao rendimento médio real dos trabalhadores, desde maio vinha caindo a taxa de crescimento. Em novembro inverteu-se a queda, e o rendimento médio real foi 2,9% maior do que em novembro de 2006, e o maior desde maio do ano passado.
Segundo avaliações do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), finalmente o emprego começou a reagir nas regiões metropolitanas, área que ainda não havia refletido o melhor desempenho da economia. Desde setembro se registram melhoras. A taxa de desocupação ficou em torno de 9,5% desde junho de 2006 até agosto deste ano. Em novembro recuou para 8,2%.
Os dados do IBGE apenas confirmam as razões já identificadas para esse crescimento. Houve maior oferta de crédito estimulando as vendas. Estas, por sua vez, incrementaram o emprego e a renda. Cria-se um círculo virtuoso, que só é ameaçado pela situação do câmbio.
O dado relevante é que novembro não é um mês em que costumam ocorrer aumento de emprego e renda. Esse processo se dá antes, quando as empresas se preparam para atender às encomendas de Natal. Com o aumento de emprego e de renda, a massa real de rendimentos aumentou 6,4% em relação a novembro do ano passado.
Em abril havia crescido 8,4%. Mas, desde então, vinha declinando para 6% em julho, 5,2% em setembro e 4,4% em outubro.
Em novembro a chamada População Economicamente Ativa (PEA) - ou seja, aquelas pessoas que estão trabalhando ou aptas para o trabalho - manteve-se em 23,4 milhões de pessoas. Mas o número de desempregados caiu em102 mil pessoas. No total, ainda são 1,9 milhão de desempregados, muito ainda frente ao aumento de 148 mil pessoas na população ocupada - que soma 21,4 milhões de pessoas.
Entre as regiões metropolitanas, o maior recuo no desemprego foi em Recife (de 12,2% para 11,0%) e São Paulo (de 9,5% para 8,8%).
A taxa de desocupação em Belo Horizonte recuou de 6,9% para 6,4%.
O desafio, agora, será garantir a sustentabilidade a esse movimento. Há um crescimento do consumo, mas há um aumento expressivo das importações e um redução no ritmo de alta das exportações.
Significa que, a médio prazo - caso não seja revertida a política cambial - cada vez mais o aumento do consumo será suprido pelas importações, tanto em bens de consumo final quanto em bens intermediários.
No próximo ano, as projeções mais otimistas apontam para um déficit de US$ 3,5 bilhões nas transações correntes - que computa todos os dólares que entram e saem do País. Pelos estudos do Banco Central, o superávit comercial deverá cair de US$ 40 bi para US$ 30 bi. É uma previsão otimista. Há sinais de estagnação nas economias americana, japonesa e européia.
O déficit surgirá exatamente no período em que a economia mundial deixará de soprar a favor.
DÍVIDA PÚBLICA
A dívida pública do governo federal voltou a crescer no mês passado e alcançou R$ 1,33 trilhão. Apesar do aumento de 1,75% na comparação com outubro, houve melhora no perfil da dívida interna e a parcela que o governo tem de pagar no prazo de 12 meses caiu abaixo de 30%. Isso não acontecia desde abril de 2002. O Tesouro tem mantido sua estratégia de aumentar a parcela de títulos prefixados. Em novembro, dos R$ 29,7 bilhões em papéis vendidos da dívida interna, R$ 20,3 bilhões tinham remuneração prefixada.
Quanto maior for a parcela de prefixados na composição da dívida, melhor para o governo. Isso dá mais previsibilidade na administração da dívida. No mês passado, os títulos prefixados responderam por 36,11% do estoque. Em outubro, esse percentual era de 35,18%. Já os títulos da dívida interna que vencem em até 12 meses caíram de 30,53% para 29,80%. É o menor patamar desde abril de 2002 (28,28%). No passado, esse alongamento da dívida era baseado na forte emissão de títulos pós-fixados. Em abril de 2002, os títulos indexados à Selic equivaliam a 51,16% do volume total. Atualmente, a parcela de pós-fixados está em 34,80%.
TJLP É MANTIDA
Seguindo a mesma tendência da taxa básica de juros, a Selic, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ontem manter inalterada em 6,25% ao ano a TJLP, taxa de juros de longo prazo que remunera os empréstimos do BNDES ao setor produtivo. Como o CMN só decidirá alguma nova mudança da taxa em março do ano que vem, o período de janeiro a março de 2008 será o terceiro trimestre consecutivo que a TJLP ficará inalterada. A última vez que o conselho mudou o valor da taxa de juros de longo prazo foi em junho deste ano, quando ela caiu de 6,5% ao ano para o patamar atual. Desde o início do ano passado, a TJLP já diminuiu 2,75 pontos percentuais, passando de 9% ao ano para 6,25% ao ano. Em março de 2006, o CMN baixou a taxa para 8,15% ao ano, valor que vigorou entre abril e junho. No período de julho a setembro de 2006, ela foi fixada em 7,5% ao ano. No trimestre seguinte, a TJLP ficou em 6,85%. Para o primeiro semestre deste ano, a taxa ficou estabelecida em 6,5%.
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