A Diocese de Franca comprou uma área de 969 metros quadrados do terreno pertencente à Francana, para construção de um grupo catequético ou um salão de festa. A aquisição corresponde a 4,25% da área total do clube e o valor pago foi R$ 67.830, ou R$ 70 o metro quadrado. O departamento jurídico do clube tenta embargar o negócio alegando que o valor pago foi muito abaixo do de mercado.
O leilão aconteceu no dia 8 de novembro na Justiça do Trabalho e a tentativa de barrar a compra foi feita no dia seguinte. Outras áreas também foram leiloadas no mesmo dia. O conselho deliberativo da Francana informou terem sido arrematados 11,25% de seu patrimônio ativo. A compra não foi efetuada porque aguarda decisão sobre o pedido de embargo judicial.
Segundo a delegacia local do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), o valor da metragem de terrenos em bairros valorizados varia de R$ 300 a R$ 500. Essa quantia corresponde a áreas na Avenida Quintanilha Ribeiro, Parque Francal e Jardim dos Lima. "Se o valor em um bairro é esse (R$ 300 a R$ 500), no Centro seria ainda maior, logicamente", explicou o delegado do conselho, Valber Almada de Oliveira. A própria Francana tem avaliações de corretores que colocam o valor do metro quadrado em torno de R$ 400.
Foi isso, o baixo preço pago, que causou a agitação. O presidente do conselho deliberativo, Gabriel Alves de Oliveira, disse que tentou conversar com o padre Márcio Barbosa Rigolin, vigário da Catedral Nossa Senhora da Conceição, mas não conseguiu. Rigolin foi uma das pessoas que trabalhou para que houvesse a compra.
O que o presidente queria era convencer a Diocese a não realizar a compra da área por meio de leilão judicial. Diretamente, o clube venderia e poderia obter um valor maior pelo terreno.
O bispo da Diocese, dom Caetano Ferrari; o pároco da Catedral, José Geraldo Segantim; e o padre Márcio Rigolin admitiram o negócio. Rigolin revelou que houve a formação de uma comissão que cuidou do assunto. O dinheiro foi conseguido por doações junto a empresários da cidade.
O presidente da Acif, João Cheade, disse que foi procurado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Calçados, Jorge Félix Donadelli, para fazer uma doação e o atendeu. Só não revelou o valor doado. Jorge Donadelli foi procurado ao longo de toda a tarde pela reportagem. Quando foi localizado, declarou não poder falar sobre o caso no momento e pediu que a reportagem retornasse mais tarde. Houve o retorno, mas ele não atendeu o celular.
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