MP investiga divisão de salários na Câmara


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Os vereadores Marcelo Mambrini (PMN, ao microfone) e Nirley de Souza (DEM) durante sessão da Câmara do último dia 4: denúncias no Ministério Público
Os vereadores Marcelo Mambrini (PMN, ao microfone) e Nirley de Souza (DEM) durante sessão da Câmara do último dia 4: denúncias no Ministério Público
O MP (Ministério Público) abriu inquérito para investigar denúncias de divisão de salários na Câmara de Franca. Os vereadores Marcelo Mambrini (PMN) e Nirley de Souza (DEM) são suspeitos de pegarem, para si próprios ou parentes, parte do ordenado de seus auxiliares, atualmente em R$ 1,9 mil. A situação, se confirmada, pode resultar até em perda do mandato. Os dois prestaram depoimento ontem no MP e negaram as acusações. As apurações no caso de Nirley estão mais adiantadas. Sua ex-assessora, Márcia Pessoni, que trabalhou em seu gabinete por quase dois anos, foi ouvida na quarta-feira da semana passada e disse que foi obrigada a pagar prestações de financiamento de um veículo Gol prata, ano 90, para o irmão de Nirley, Carlos de Souza. As parcelas seriam de R$ 300 mensais. No início do ano, Márcia teria se recusado a continuar a divisão de salário e acabou dispensada pelo vereador. Nirley negou as acusações. “Da minha parte, eu desconheço isso. Acho melhor falar do caso depois de ter tudo apurado. Ela não foi mandada embora por isso. Dispensei porque ela ia fazer uma cirurgia e o atendimento já não estava de acordo”, disse. No caso de Mambrini, de acordo com a denúncia, ele pegaria para si R$ 800 por mês, equivalente a metade do salário líquido da ex-assessora Lara Cristina Rodrigues, exonerada em setembro último. Pelo menos três funcionários de diferentes setores da Câmara disseram que a própria Lara relatava a divisão e que por isso foi dispensada. Ela seria ouvida na semana passada pelo MP, mas faltou ao depoimento alegando problemas de saúde. Agora, será ouvida no dia 27 pelo MP. Mambrini afirma que “jamais” rachou o salário de sua auxiliar. Disse que a demissão ocorreu por “perda de confiança” e que isso pode ter magoado a ex-assessora. “Exonerei ela (sic) da Câmara por outro tipo de problema (...) O assessor tem de ser da confiança do vereador você não acha? Não tenho nada contra a pessoa dela, mas como assessora para mim não serviu”, disse. O promotor de Justiça Paulo Borges disse que as oitivas feitas até agora ajudaram a esclarecer muitas dúvidas, mas que será necessário ter paciência antes de decidir o rumo que o inquérito tomará. “A investigação está em fase adiantada, embora não seja possível ainda uma conclusão. Mas há indícios a respeito da divisão (de salários)”, disse Borges, que concluirá o procedimento em até 60 dias.

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