Estamos nos aproximando das comemorações relativas ao nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este fato leva-nos a refletir sobre os acontecimentos relacionados com a vinda do Salvador à Terra.
Digamos, antes de tudo, que a data de 25 de dezembro é uma convenção. Uma tradição. Os historiadores são unânimes em informar que, provavelmente, o Mestre tenha nascido cerca de 4 a 6 anos da data registrada pela tradição. Também não nasceu em dezembro, mas, sim, entre fevereiro e março. No entanto, pelas festas pagãs que se realizavam à época no hemisfério norte, a tradição estabeleceu 25 de dezembro como aniversário de Jesus.
Não importa, tanto, o referencial da data. Importa a mensagem que Ele trouxe, que é a mensagem do amor. Amor incondicional entre todas as criaturas, posto que todas são filhas de Deus. Até a vinda do Messias, os judeus se consideravam os únicos filhos verdadeiros de Deus e tinham, nas práticas exteriores, o fundamento da sua vivência religiosa. Assim, ao invés de eles (os judeus) serem filhos de Deus, Iavé (ou Jeová, ou Deus) é que era deles. Ora, Jesus veio e contrariou todo o pensamento mosaico vigente até então. Propôs que todos eram filhos de Deus, sendo assim, a irmandade é a característica maior que deveria imperar entre os homens. Também não se preocupou com as aparências exteriores, com os cultos. Condenou as práticas farisaicas e pregou a verdadeira religião, que é a religião do amor. Sem qualquer distinção. Também pregou que os seus “verdadeiros discípulos” seriam conhecidos por muito se amarem.
Na parábola do Bom Samaritano, mais do que em qualquer outro lugar, estabeleceu a caridade - na verdadeira acepção do termo - como a prática do verdadeiro cristão. Não deixou hierarquia. Não deixou normas e estatutos. Deixou, pela sua vivência, os exemplos maiores para a real salvação da humanidade. Baseou toda sua doutrina na prática do perdão incondicional e disse: “Misericórdia quero e não sacrifício”. Informou que, antes de qualquer oferenda, o que vale é a reconciliação com os inimigos. Mostrou-nos que devemos buscar, em primeiro lugar, “O Reino dos Céus e Sua Justiça” e o demais nos será acrescentado.
Convocou-nos a servir, dizendo que “quem quisesse ser o maior, fosse o menor”. Nada de disputa por cargos. Nada de posições especiais. Nada de privilégios. Convivia com os miseráveis, com os marginalizados, com as prostitutas, com os leprosos, com os explorados e não dava valor aos ricos e poderosos. Distanciava-se dos que detinham as “facilidades do mundo”, procurando socorrer aos necessitados do mundo.
Este era Jesus. O Nosso Mestre. O Raboni. O Amor presente. Este é o Jesus que o Espiritismo ensina como “Modelo e Guia da Humanidade”, de conformidade com a resposta dada pelos espíritos à pergunta 625 de O Livro dos Espíritos. Jesus ativo na prática da caridade em favor dos semelhantes. Jesus vivo no esforço individual para a melhoria das nossas imperfeições. O Jesus que ressuscitou para nos provar a imortalidade, de conformidade com o Seu ensinamento: “Vim para que tivésseis vida, vida em plenitude”.
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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