As evidências venceram. Três anos depois de sair das ruas de Franca, os radares devem voltar à cidade no começo de 2008. A informação foi revelada ontem, com exclusividade, pelo prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB) durante entrevista à equipe de jornalismo da rádio Difusora e jornal Comércio da Franca. “Eu já autorizei a aquisição de dois radares móveis. É o meio mais efetivo para controlar o maluco do volante”, disse o prefeito.
As opções para a instalação são os fotográficos estáticos - operados por computador e que podem ser instalados e removidos em qualquer rua da cidade - ou os radares móveis, manuseados diretamente pelas autoridades, como os utilizados pela Polícia Rodoviária em blitze. Dependendo do modelo, os equipamentos custam de R$ 70 a R$ 150 mil cada.
Ainda segundo o prefeito, a Prefeitura já tem os estudos efe-tuados para a instalação dos radares e precisa apenas da indicação da Polícia Militar para escolher o tipo (veja mais sobre a posição da Polícia no texto abaixo). “Já temos tudo definido e só não conseguimos comprar os radares este ano por falta de verba”, disse Rocha.
A princípio, a intenção é utilizar os radares sem aviso à população sobre a localização deles, para coibir abusos em toda a cidade. Questionado se tal decisão não feriria a norma do Código Brasileiro de Trânsito que prevê a divulgação dos pontos fiscalizados pelos radares, o prefeito disse que, se a lei determinar tal ação, ela será cumprida. “Eu acho o fim do mundo se a lei fala isso (...) Agora, se a lei exigir que seja divulgado, a gente divulga, mas isso favorece o marginal do trânsito”, disse.
Para Manoel Magela, bombeiro aposentado que trabalha com a prevenção de acidentes no trânsito, a medida é positiva. “O radar não resolve todos os problemas, mas ajuda porque coloca medo no motorista, e o que toca no bolso sempre resolve”, avalia.
RECONSIDERAÇÃO
Os radares foram instalados em Franca no ano de 2000, quando 48 pessoas morreram nas ruas da cidade em decorrência de acidentes. Em 2003, com 30 radares ligados em pontos estratégicos da cidade, o total de mortes passou para 28.
O uso do equipamento foi suspenso pelo prefeito Sidnei Rocha a partir de 2005. A decisão de voltar a contar com o equipamento contraria, portanto, um dos lemas da campanha do prefeito, que era acabar com o que ele classificava, na época, de fiscalização eletrônica, apontada por ele como responsável por uma indústria das multas.
Para o prefeito, porém, a gravidade da situação do trânsito francano justifica a decisão. “Estamos estudando formas de coibir a violência no trânsito, e o radar é uma alternativa. Nunca estive fechado a diálogos”, disse.
Colaborou Marcos Junqueira
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