Os rumos do etanol


| Tempo de leitura: 4 min
A dificuldade em se pensar o longo prazo e - até os anos 90 -a falta de contato maior entre os negociadores internacionais brasileiros e a economia real fizeram com que uma bela oportunidade fosse jogada fora: o etanol não entrou como elemento de sustentabilidade no Protocolo de Kioto, que tratou das mudanças climáticas. Por isso, qualquer programa de redução de emissão de carbono, através do etanol, não dá direito a créditos de carbono para serem negociados no mercado internacional. Nos próximos dias, por exemplo, deverão começar a rodar em São Paulo mil ônibus movidos a álcool. Eles retirarão da atmosfera o equivalente à poluição de 20 mil veículos. E não darão direito a créditos de carbono. Na reunião de Bali, na semana passada, negociadores brasileiros tentaram incluir o etanol na categoria de bem ambiental. Se bem-sucedido, só valerá a partir de 2012. Mas, no fundo, todo trabalho preparado agora visa o futuro mercado internacional de etanol. Não há ilusões de que, neste momento, as exportações possam estourar. Por questões de segurança, a maior parte dos grandes países consumidores está empenhado em criar uma produção interna, que se transformará em reserva técnica. É o caso dos EUA, empenhados em financiar a produção interna de 140 bilhões de litros de etanol basicamente do milho; na Europa, do trigo e da beterraba. No almoço de fim de ano da UNICA (União da Indústria da Cana de Açucar) essa questão foi bastante debatida. O que ocorre é que o uso do etanol exige mandato oficial, uma decisão política do País. Para tanto, o governante precisa da garantia de que haverá etanol suficiente para atender o percentual previsto de mistura. Quatro anos atrás a Índia definiu um percentual de mistura, e não houve oferta suficiente. O primeiro passo, portanto, será cada país implantar a produção interna estratégica, sua rede de postos, consolidar interesses e lobbies. A partir daí, forma-se o mercado internacional através da troca de produção excedente. Por isso mesmo, as exportações só preocupam o setor no médio prazo. Todo o trabalho atual, de disseminação da imagem do etanol, busca de alianças em outros países, trabalhos de convencimento, visam a preparar o futuro mercado, daqui a cinco ou seis anos, quando os investimentos atuais na ampliação da capacidade do setor estiverem maduros. No fundo, a exportação serviria apenas como regulador dos preços internos. Em caso de queda nos preços internos, há quem advogue aumento das exportações, ainda que gravosas (abaixo do custo) para dar sustentação ao preço interno. Porque o grande mercado do setor, para as próximas décadas, será mesmo o mercado interno, com a produção de carros flex-flue. Em 2007 foram 2 milhões de veículos flex-flue. Hoje em dia, o álcool tem um fator de combustão de 85% da gasolina. Ou seja, um litro de álcool equivale e 0,85 litro de gasolina. Mas, com a melhoria continuada dos motores, em breve essa proporção deve melhorar mais ainda. Nos custos de hoje, o barril equivalente de etanol está em 30 dólares contra 100 do petróleo. Por isso mesmo, o presente pertence ao mercado interno. LEILÃO DAS TELES O primeiro dia do leilão de faixas de freqüência de celular para serviços de 3G (terceira geração, com acesso em alta velocidade à internet, recebimento de imagens e outros serviços) foi marcado por disputas acirradas e grande ágio, revelando apetite das empresas em relação ao mercado brasileiro. A concorrência mais forte ontem foi para saber quem oferecerá o serviço para Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe. Vivo, Oi, TIM e Claro pagaram entre 90% e 274% acima dos preços mínimos. Com o resultado parcial, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que, antes do leilão, previa ágio médio de 25% em cima do preço mínimo total, refez suas projeções para ágio médio de 100%. O leilão recomeça hoje às 9 horas. A região de São Paulo, o maior mercado do País, será leiloada hoje. O sobrepreço forte nessa fase do leilão surpreendeu analistas e o próprio governo. As grandes operadoras de celular foram forçadas a fazer propostas cada vez mais altas por conta da atuação surpreendente da Nextel - empresa que hoje opera apenas no mercado corporativo, com 1,187 milhão de clientes no Brasil, concentradas no mercado corporativo. A Nextel fez propostas agressivas para os lotes de faixas de freqüência que disputou, chegando a propor ágios superiores a 100% do preço mínimo. OMC A OMC (Organização Mundial do Comércio) anunciou oficialmente ontem sua decisão a favor do Brasil na disputa com os EUA sobre os subsídios pagos aos produtores americanos de algodão. “Os EUA falharam em observar” as regras sobre concessão de subsídios, diz o documento com a decisão do painel que arbitrou a disputa - e que dá aos EUA seis meses para que reforme seus programas de subsídios aos produtores de algodão e comunique as mudanças à OMC. O Brasil alega que os EUA conseguiram manter a posição de segundo maior produtor de algodão do mundo (atrás da China) devido aos US$ 12,5 bilhões em subsídios pagos aos produtores entre 1999 e 2003. Com a decisão favorável, o Brasil tem o direito de impor aos EUA sanções anuais de até US$ 4 bilhões. O USTr (United States Trade Representative, espécie de Ministério de Comércio Exterior dos EUA) ainda não informou se vai apelar da decisão.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários