Praça cheia e muitos aplausos. A Orquestra Sinfônica de Franca foi ovacionada pelo público em seu terceiro concerto, na noite de segunda-feira, na Tenda Cultural, montada pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), em parceria com a Prefeitura Municipal.
Na platéia, pessoas que passeavam pelo centro e que pararam para ver de perto a apresentação, outros que foram até o local especialmente para ver a Orquestra e músicos francanos de respeito, como o violonista Diego Figueiredo e o maestro Laércio Piovezan, da antiga Orquestra Laércio da Franca. “É a primeira vez que vejo a Orquestra. Ela está ótima, para Franca é um presente, uma maravilha. Fiquei surpreso, não esperava tudo isso”, comentou o maestro.
A opinião é compartilhada mesmo por quem não é especialista em música. O contador Márcio Roberto Lance, 62 anos, levou a família para prestigiar a Orquestra. “Eu fui até o Teatro no dia da estréia, mas já estava lotado. Hoje consegui assistir ao concerto, foi espetacular, eles estão de parabéns. Para uma cidade do porte de Franca é muito importante essa Orquestra”.
A funcionária pública Mary Ferracini, 48, tinha ouvido falar dos músicos, mas ainda não conhecia. Moradora da região, ouviu falar da Orquestra e foi até a praça ver de perto. “Muito bom o som, gostei muito.”
Elogios não faltaram ao concerto, que reuniu músicas eruditas e natalinas e contou com a participação especial do Quarteto Vocal de Franca. O diretor da Sândalo, Carlos Brigagão, também esteve na Tenda Cultural com a família para ver de perto a Orquestra. “Eu já tinha ouvido no Champagnat e voltei hoje (ontem). É um orgulho muito grande ter essa Orquestra, espero que os francanos saibam prestigiar.”
BOM, MAS SEM PATROCÍNIO
Nelson Barduco Júnior, que está à frente da administração da Orquestra Sinfônica de Franca, disse que o apoio da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura) - pagando o salário do maestro Gabriel Mateos - vai até janeiro e ainda não foi renovado. Também não apareceram, ainda, empresários interessados em patrocinar os músicos. “Nós temos agendada uma reunião na semana que vem com um empresário da área de educação que demonstrou interesse em apoiar a Orquestra. Mas ainda não temos nada concreto”, disse Júnior.
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) disse que, na semana passada, foi apresentado a ele um projeto com custo de R$ 1 milhão, por ano, para manter a Orquestra. “A coisa foi feita um pouco de ‘afogadilho’. Eles me apresentaram um orçamento muito fora da realidade dos recursos que o município tem e fora da realidade de conseguir patrocinadores”, ressaltou.
Rocha pediu que o projeto fosse refeito para ser analisado novamente. “Eu acho que o valor precisa ser discutido e ver o que eles conseguem fazer em termos de captação no mercado para nós estudarmos a ajuda da Prefeitura. É preciso ter um projeto viável”. Ele também questionou o número de músicos. “São 45, é muito, pode ser menos gente. No projeto eles colocaram o salário de mil reais e pouco. Se você diminuir o número de pessoas e pagar esse salário não dá um milhão de reais”.
De acordo com o prefeito, a verba da Feac é de R$ 3 milhões. “Não há uma divisão certa do que vai para esporte e do que vai para cultura. Depende dos projetos, dinheiro nós damos um jeito, mas precisamos de projetos razoáveis, dentro de uma realidade”.
Júnior explicou que em janeiro vai haver uma audição para diminuir o número de músicos. “Nesses meses nós estávamos analisando os melhores para depois selecionar. O número deve cair para 30”.
No entanto, ele não concorda que o projeto da Orquestra seja fora da realidade, como disse o prefeito. “Não é o projeto que não é viável. A Ordem dos Músicos do Brasil e o Sindicato dos Músicos do Estado de São Paulo estipulam que o salário deve ser de R$ 27,95 por hora. A Orquestra teria nove horas de ensaio por semana mais uma hora e meia de apresentação por semana. Seriam 30 músicos trabalhando por 42 horas mensais. Somando o salário do maestro, que é de R$ 4 mil, mais os encargos trabalhistas e impostos, a despesa é de cerca de R$ 60 mil por mês só com os salários, o que dá R$ 720 mil por ano”, explica Júnior.
Além dos salários, ele disse que incluiu no projeto despesas com transporte, contratação de profissionais e divulgação, totalizando aproximadamente R$ 1 milhão. “É claro que estamos estudando meios de não pagar alguns impostos, estamos estudando outras maneiras. Estamos abertos a outras idéias. O que não queremos é ter problemas jurídicos com ações trabalhistas”.
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