Uma vida com fome


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Jaqueline, Jackson e Joziele Araújo Alves são irmãos, têm entre 3 meses e 4 anos de idade, moram numa casa de quatro cômodos na Vila Santa Luzia e passam por necessidades. Os pais são migrantes, não têm estudos e, para sobreviver, fazem bicos, quando aparecem, em que ganham no máximo R$ 30 por dia. Na casebre em que vivem por R$ 180 de aluguel, falta de tudo, de móveis a comida, inclusive leite. Um dos pedidos mais constante das crianças é por “bolachas” e biscoitos. Com lágrimas nos olhos, a mãe pede por socorro. Com 25 anos, a jovem Eliane Ferreira Alves é do Maranhão e veio para Franca há quatro anos em busca de emprego. Trouxe para a cidade somente uma mochila com trocas de roupa. Aqui, encontrou o servente de pedreiro Josimar Araújo Moreira, 24, com quem se casou e teve os três filhos. Desempregados, contam com ajuda e doações de ali-mentos de amigos e outras pessoas. A última cesta básica que ganharam foi há quatro meses. A pespontadeira Regiane de Oliveira, amiga da família, não sabe mais como ajudar. Ela já fica com as crianças, quando Eliane consegue emprego de distribuidora de panfletos nas ruas. Além disso, oferece leite e comida para o jantar. “Ajudo com o que posso, mas a situação também está apertada para mim e eu preciso trabalhar”. No sábado, o Comércio da Franca esteve na casa de Eliane, na Rua Gabriela Lima Freitas, 1316, na Vila Santa Luzia. No local, o cheiro de urina e mofo é forte. Na sala, um jogo de sofá rasgado e uma rack vazia, sem ao menos uma TV, fazem parte do cenário. O quarto é ao lado e conta com uma cama de solteiro, um colchão de casal velho sem lençol, jogado no chão, e um guarda-roupas quebrado. Cobertas, são apenas duas, uma do casal e a outra, para os filhos. [FOTO2] Na cozinha, o fogão tem somente uma boca funcionando e a pia clama por atenção. Panelas e pratos sujos se misturam com uma vasilha com restos de comida cobertos por água. O cheiro também é forte. No cômodo, geladeira e armário disputam qual está mais vazio. Nas prateleiras do primeiro, somente garrafas d’ água e um pedaço de fígado numa bacia. No armário, um pacote aberto de arroz, um de açúcar e mais nada, além de um pote com um pouco de pó de café. O banheiro fica do lado de fora da casa. “Vim procurar trabalho aqui, mas não consegui. Depois tive as crianças e ficou mais difícil. Não tem nada em casa. Os meninos tão com fome e também não têm fralda”, disse Eliane, que não consegue sequer lembrar quando foi a última vez que comprou carne. Para o Natal, a família não tem muitos sonhos. A mãe quer apenas dar o que comer aos filhos. “As crianças choram pedindo bolachas e eu não tenho como comprar. Natal é como um dia normal e a gente fica em casa mesmo”. SERVIÇOS Doações podem ser feitas na casa de Eliane, na Rua Gabriela Lima Freitas, 1316, na Vila Santa Luzia ou na Rua da Liberdade, 1218, Vila Nova.

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