Preço da carne dispara. Alta chega a R$ 0,30 por dia


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DE OLHO NA CARNE... E NO PREÇO - O autônomo Wanderson da Silva observa carnes pela vitrine do açougue: “Decidi diminuir o consumo para economizar”
DE OLHO NA CARNE... E NO PREÇO - O autônomo Wanderson da Silva observa carnes pela vitrine do açougue: “Decidi diminuir o consumo para economizar”
“Quem não tem filé come pão e osso duro”. Colocar em prática o que diz o trecho da música Óculos Escuros, do cantor Raul Seixas, seria um exagero, mas a alta no preço das carnes tem pressionado os consumidores de Franca a mudar o cardápio. A carne engatilhou aumentos sucessivos há pelo menos 60 dias na cidade. No último mês, a média de reajuste chegou a 28%. O valor que mais chama atenção é o da picanha. O quilo saltou dos R$ 18 para R$ 28, o que equivale a um aumento de R$ 0,30 por dia. José Carlos Pereira, proprietário da Casa de Carnes Paladar, é um dos açougueiros que têm trocado com mais freqüência os valores na tabela de preços do seu estabelecimento. “A carne realmente subiu demais. Para você ter idéia, em junho comprava a arroba do boi por R$ 48, paguei R$ 64 em outubro e agora não encontro por menos de R$ 80. Não há como não repassar para o consumidor os novos preços”. Há um mês, Pereira vendia o quilo do contrafilé por R$ 11 e hoje comercializa a R$ 12,90. Ainda assim está no prejuízo. “Tinha de repassar mais R$ 2, mas estou segurando para evitar mais queda nas vendas. Vendia cerca de 700 quilos de carne por dia, hoje são 500 apenas”, disse. Para o açougueiro, a estiagem mais intensa neste ano é a culpada pelos aumentos do alimento. “A seca foi muito longa e o pasto cresceu menos. Como os animais ficaram mais magros, demoram mais para ser abatidos. Na falta da mercadoria, os preços disparam”. Paulo Covas Silva, dono da Casa de Carnes Distak, concorda em atribuir as altas da carne à escassez no produto no mercado e a seca. “Esses reajustes começaram a se desenhar em outra época. Há cerca de três anos, as exportações foram canceladas depois de um foco de febre aftosa no Brasil. Os criadores começaram a se desfazer dos produtos, abatendo até as matrizes. Hoje, falta mercadoria”. Ele acredita que a situação pode se complicar ainda mais para o setor. “Agora as pessoas consomem carnes mesmo com aumento, pois é época de confraternizações, churrascos e ainda contamos com o 13º salário. Preocupo mais com 2008”, disse Paulo. Até um mês atrás, o autônomo Wanderson da Silva, 28, e sua mulher, moradores no Prolongamento do Ângela Rosa, consumiam carne no almoço e jantar. Depois de contabilizar os gastos no mês passado, se viu obrigado a mudar a rotina. “Gastava R$ 180 por mês com carne e o valor subiu para R$ 280. São R$ 100 a mais num mês. Passamos a fazer lanche de pão com ovo, salada e manteiga à noite. Também mudei o tipo de carne e passei do contrafilé para a alcatra”, disse.

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