A batalha do reajuste


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Começou, na última semana, a guerra envolvendo o reajuste dos sapateiros para o próximo ano. De um lado do “corner”, fumando charutos e montados em possantes caminhonetes, os patrões. Do outro, em suas funcionais Hondas Titan, os sapateiros. No programa, nada muito diferente do que acontece todos os anos: o Sindicato dos Sapateiros pede um reajuste que sabe ser impossível de conseguir - neste ano 15%, com pisos fixados em R$ 630, além de outras dezenas de itens, como auxílio-creche e abono escolar. No próximo passo, o Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca) faz uma contraproposta completamente inviável (no ano passado, a primeira foi de 1% de aumento). O lance será repetido algumas vezes até que um meio-termo - geralmente em torno de 5% de reajuste - seja alcançado. No ano passado foi assim. Faz parte do jogo político e, no fim das contas, patrões e empregados, seres altamente antagônicos, devem protagonizar uma verdadeira batalha para chegar a um consenso. Nada mais correto e saudável. As perspectivas para o próximo ano, no entanto, são positivas, como indica um documento divulgado na última semana pelo próprio Sindifranca. Jorge Donadelli, presidente da entidade, é conhecido por ser um homem cauteloso, tanto nas ações quanto nas palavras e, se até ele mostrou algum otimismo, a informação ganha força. Assim, é hora dos trabalhadores “endurecerem” um pouco mais a negociação e tentarem buscar algum reajuste a mais. Pode ser arriscado, mas a chance de dar certo é grande. Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, não esconde de ninguém a visão que tem dos patrões: para ele, a crise, tão falada, é uma mera ilusão de ótica e os patrões choram muito para “engabelar” os funcionários. Não está completamente errado. Todos sabemos que o industrial francano é apaixonado por queixumes em geral. Ainda assim, é preciso ressalvas e cuidados para que os trabalhadores não forcem demais a cobrança. A situação, embora tenha apresentado melhoras significativas, ainda é complexa. O setor está em plena reestruturação e percalços são esperados. É preciso calma e bom senso. BALANÇO Bons augúrios sobrevoaram esta coluna na última semana. Após três previsões bombásticas do “Pai Schiavoni” sobre o futuro do setor calçadista, o Sindifranca divulgou o balanço de 2007 e as expectativas para 2008. Sem revelar números, acredita em “um pequeno aumento” no total de pares produzidos e no nível de emprego na cidade. Uma previsão sensata - antecipada por esta coluna e pelo jornal Comércio da Franca - mas que contraria profundamente o caos anunciado pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) para o próximo ano. NEGATIVO O único ponto negativo, segundo a entidade, continuam a ser as exportações. A cidade corre o risco de exportar menos, como também antecipado por esta coluna, embora deva aumentar o valor de cada sapato enviado ao exterior. Nota positiva também sobre a quantidade de países que consomem o sapato francano. Em 2006, foram 75 países importadores, número que deve chegar a 84 neste ano. JAÚ E BIRIGÜI A mão-de-obra francana continua chamando atenção de outros pólos calçadistas. Este colunista já recebeu, na última semana, notícias de dez sapateiros que afirmam ter fechado contratos com empresas de Jaú e Birigüi. Juntos, devem ajudar a produzir mais de 50 mil pares até o fim do ano. Na média, cada um deles “tocou” empreitadas de 4 mil a 7 mil pares. SINAL Se, sozinhos, os números são insuficientes para apontar uma realidade, eles podem dar uma boa indicação sobre a saúde dos demais pólos calçadistas do Estado de São Paulo. Jaú, com foco no sapato feminino, e Birigüi, no infantil, estão crescendo e conseguindo suportar a crise pela qual o setor passa nos últimos anos. Tal como em Franca, sapatos com maior valor agregado e foco no mercado interno são a receita. INDEFINIÇÃO NA HB Os planos da Agabê continuam indefinidos para 2008. A empresa, que iria concentrar em Franca apenas a produção de sapatos para exportação, teve de reconsiderar os planos após um incêndio na unidade do Ceará.Tem oito meses para decidir o que fazer, tempo que levará a reconstrução de parte da unidade que pegou fogo. Muitas opções estão na mesa, mas, segundo fontes ligadas à empresa, parte da produção da unidade do Nordeste pode até continuar em Franca depois das obras. A conferir. SAMELLO E para fechar a coluna de hoje, vamos a informações da Samello, que pretende retomar sua produção no primeiro trimestre de 2008. A empresa tenta, discretamente, vender dois de seus imóveis no Centro de Franca para financiar a produção. Segundo fontes ligadas à empresa, os Sábio de Mello ainda precisam levantar cerca de R$ 1 milhão para que as esteiras da fábrica voltem a produzir o tradicional calçado. Embora seja um aporte expressivo, após todos os problemas pelos quais a empresa passou, esta coluna acredita que conseguirá.

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