Em 2007 foram registrados na cidade de Franca 14 homicídios dolosos, aqueles em que o agressor tem a intenção de matar. O número é menor do que o registrado em 2006 (20) e 2005 (22).
A redução é considerável se levarmos em conta que o homicídio é, por sua natureza, difícil de prevenir. Não há como antecipar problemas passionais, vingança premeditadas, brigas entre traficantes por pontos de venda de drogas, etc. As ações da polícia sempre pretenderam a antecipação da ação mas, apesar da redução dos números na cidade, 14 famílias ainda tiveram que chorar a perda de um ente querido apesar da descoberta dos autores e de suas condenações pela Justiça.
Uma importante medida foi tomada no âmbito da Polícia Civil com a criação do setor de Homicídios na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Agora, as investigações estão centralizadas em um único local, uma delegacia especializada que conta com estrutura adequada e que destacou policiais para trabalhar exclusivamente na apuração dessa modalidade de crime. A equipe é composta por quatro investigadores e uma escrivã. Aos policiais fica a missão de investigar os crimes de homicídio ocorridos no município de Franca, sejam eles tentados ou consumados. Eles é que convivem com a dor dos parentes que querem saber sempre da motivação do crime. Alguns, por terem formado falsas opiniões, desacreditam do que lhes apresenta a polícia, principalmente se a vítima estivesse envolvida com algo ilícito ou que tivesse conduta social imoral.
A imprensa, os superiores hierárquicos e parte de familiares cobram presteza, rápido esclarecimento de casos. O número de crimes esclarecidos é significativo: mais de 50%, com os autores respondendo a processos, ou presos e outros, ainda, em liberdade segundo o que lhes garante por direito a legislação brasileira.
Junte-se, ainda, aos fatos que contribuem para a redução do índice as condenações promovidas pela Justiça, a colaboração da população que denuncia e auxilia o trabalho da polícia durante as investigações.
Está claro que esclarecer todos os homicídios registrados ou, se possível, antecipar à consumação, não é tarefa fácil. Cabe-nos, portanto, a investigação constante e criteriosa para identificar autorias e encontrar os que fogem para que sejam julgados e, se for o caso, condenados, evitando-se a permanente sensação de impunidade que acaba contribuindo para o incremento da criminalidade de qualquer modalidade. E, por último: a população que ajuda, indicando pistas ou proporcionando a ação preventiva da polícia, também se protege mais.
MÁRCIO GARCIA MURARI é delegado de Polícia do setor de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca.
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