Mãos à obra


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MULHERES NO BATENTE - Juliana Maria dos Santos e Rita de Cássia Guilherme se divertem na construção das casas no Jardim Santa Bárbara: sonho da casa própria está próximo
MULHERES NO BATENTE - Juliana Maria dos Santos e Rita de Cássia Guilherme se divertem na construção das casas no Jardim Santa Bárbara: sonho da casa própria está próximo
Rita, Juliana, Marli, Gislaine, Leandra e Rosimery. Há seis meses elas não se conheciam, hoje dividem o mesmo trabalho e sonho: a construção da casa própria. Não são as únicas. Outras 66 famílias estão inseridas no mutirão da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) que vai construir, em duas etapas, 160 casas no Jardim Santa Bárbara. Em um grupo de 72 famílias contempladas na primeira fase do programa, 53 titulares são mulheres, a maioria solteiras, viúvas ou separadas, têm filhos menores de idade e renda familiar abaixo de R$ 500. Sem uma mão masculina para ajudar, elas aprenderam a carregar tijolos, fazer massa e levantar paredes. O “serviço pesado” é realizado todos os fins de semana. Aos sábados, elas trabalham das 8 horas às 15h30 e, aos domingos, das 8 horas ao meio-dia. A cada fim de semana, 24 titulares têm de comparecer para o trabalho. Sábado e domingo passado foi a vez do grupo da sapateira Rosimery Cruz de Souza, 35. Quem passou pelo canteiro de obras sem saber que Rosimery tem uma meta a cumprir em horas trabalhadas poderia pensar que ela seria uma voluntária social realizando um trabalho solidário, tamanho era o empenho e a satisfação. As outras mulheres, idem. “O trabalho é cansativo, mas me divirto bastante aqui”, garante. Para conseguir a casa própria, Rosimery não teve outra opção. Inserida no cadastro da Prohab (Programa de Habitação Popular de Franca) desde 1989, ela sempre sonhou em ser sorteada. Nunca conseguiu. Quando surgiu a oportunidade do mutirão, não pensou duas vezes: aceitou. Morando em uma casa alugada com as cinco filhas mulheres - entre 7 e 19 anos - e um neto de 8 meses, ela teve que colocar, literalmente, a “mão na massa”. É esforçada. De segunda a sexta-feira, trabalha em uma fábrica de calçados. Na sexta-feira à noite, por exemplo, saiu para sua função de garçonete em uma festa de formatura. No sábado, às 8 horas, já estava no canteiro de obras. Trabalhou até as 15h30 e, à noite, voltou para o trabalho como garçonete. “Essa é minha vida. Precisa ser assim”. As filhas de Rosimery revezam para ajudar a mãe. No último sábado ela levou duas delas - Tuiani, de 17 anos, e Tábata, de 16. “Estamos todas em busca de um sonho e vamos conseguir”, disse. A sapateira Leandra Aparecida Pereira, 27, mora atualmente no Jardim Zelinda com três filhos (10, 7 e 4 anos). Ela é separada do marido e, assim como Rosimery, precisa participar do mutirão. Leandra nunca tinha assentado um tijolo, mas nos últimos seis meses, esse é o trabalho que tem realizado quase 13 horas nos fins de semana. Para ela, vale a pena todo esforço. “Sempre paguei aluguel. Não vejo a hora de ver a casa pronta. Acho que com esse trabalho vou sentir que a casa é mais minha ainda”, disse. Sair do aluguel, deixar de morar nos fundos da casa dos pais e dar um lar digno para os filhos. Cada família tem um sonho e uma história para contar. Acostumada ao trabalho pesado, a auxiliar de limpeza Juliana Maria dos Santos, 32, também enfrenta sol e chuva para construir sua casa. Atualmente Juliana mora na casa cedida pela mãe e ganha R$ 400 para sustentar os três filhos (14, 9 e 2 anos) e pagar as contas de casa. Desde julho tem trabalhado no Jardim Santa Bárbara e garante: já é uma mestre-de-obra. “Fiz massa, carreguei e assentei tijolos. Agora já sonho com a ampliação da minha casa e eu mesma vou fazer”, planeja. A previsão da CDHU é terminar e entregar as 72 casas até julho de 2008. Depois de todas prontas, haverá um sorteio entre as famílias para a entrega das chaves. “Fico pensando qual será a minha casa. Por isso trabalho com carinho em todas”, disse Juliana.

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